terça-feira, 15 de maio de 2012

O Poema

Para L. M.

O poema pode nascer nos teus olhos, sem que tivesses feito nada por isso.
Um sorriso apenas e o poema salta para o papel, voa e ganha asas pelas planícies de um lugar em silêncio na retina dos teus olhos.
Galga fronteiras como se fosse um cavalo alado, a galopar nas asas secretas da tua imaginação prenhe de acasos.
O poema nasce em ti e nos dedos esquivos, que se tornam dóceis que escrevem palavras que dedilhas como se fossem renda de bilros que um dia viste nas cortinas da casa da tua avó.
Sabes que um dia os lançaras ao fogo e que serão devorados pelas chamas sequiosas, como se fossem elas, abutres em redor de carne putrefacta.
Um dia apenas a memória tecerá em ti memórias (outras) de um poema que ninguém leu e que o fogo devorou.
Um dia que pode ser já hoje!
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© Piedade Araújo Sol 2012-05-15
Foto : Agniesszka Uziębło