terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Silêncios

Elena Vizerskaya
E se dentro de nós ressurgissem
vocábulos a brotar botões de malmequeres
ou apenas e só, palavras.

Às vezes as palavras ficam encarceradas
vazias e sem destinatário, outras há
que não as conseguimos articular.

E formam-se silêncios …

E é tão necessário a voz
O som
O eco

E a morte do silêncio

© Piedade Araújo Sol 2018-02-19

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O medo

 Katharina Jung
espreita no breu que a noite carrega,
assusta-me,
ou quiçá me protege,
e eu nem sei.

chega brando, silente sem cor,
por entre as sombras das nuvens,
e entra mesmo com as janelas vedadas,
as portas trancadas,
as cortinas cerradas.

entra e senta-se comigo à mesa,
faz cama na minha cama,
e voa com a brisa que por vezes,
me afaga o rosto.

travamos  os dois,
uma luta titânica sem cânones,
deixando-me extenuada ,mas
não quero e não posso,
e não o deixarei vencer-me.

©Piedade Araújo Sol 2018-02-12

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Esboços

paolo barzman
Espreita a luz que lhe dá o tom
para o traço irreprovável
num esboço imparcial
onde o contraste da cor
roça a timidez .

Hesitante, desiste
e o cesto dos papéis
fica atulhado de esboços imperfeitos.

Afinal!

São tão perfeitos para quem os descobre
na inocência do ver .

© Piedade Araújo Sol 2018-02-05

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Transparências




Olho para dentro de ti, sem que percebas. És forte, e ao mesmo tempo tão vulnerável. Em ti existem sempre duas pessoas. Sempre!
Por vezes sei que me magoas, magoando-te. Contradição diria. Pois persisto sempre a ter um sonho contigo, mesmo sabendo que é isso mesmo, e só isso. Um sonho.
Olho para dentro de ti, e tu nem sabes que eu sei, a posição exacta que dás à tua mão ao pegar no copo da água que bebes. O trejeito que fazes quando algo não te agrada, a expressão facial que exprimes quando te zangas, a cor metamorfoseada dos teus olhos quanto estão triste ou alegres.
Olho para dentro de ti, e sei que por vezes sou ainda mais impulsiva que tu, e que por vezes és ainda mais imprevisível do que eu ou vice-versa.
Olho para dentro de ti e afinal tu nem sonhas, como és tão transparente para mim….

© Piedade Araújo Sol   2006-07-03 

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Cara ou Coroa

Istvan Sandorfi
Tenho o reverso da moeda
Aperto em meus dedos
O resto da esperança
De um circulo que
Não acaba hoje
Nem amanha...

Mas...

Se afinal tudo tem um fim
As garras do tempo
Serão momentos
Em constante rodopio
E encolho-me
No meu casulo...

Cara ou coroa!

©Piedade Araújo Sol  2006-10-12 (reeditado)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Palavras

Diggie Vitt

Por vezes as palavras ficam guardadas,
e tantas vezes guardam segredos,
guardam alegria e também as mágoas.

Mas, as palavras precisam ser catapultadas,
resgatadas ao silêncio que impera,
quando o orgulho as estrangula.

Não deixes que elas fiquem sem cor,
molda-as com ternura e espalha-as por aí,
mesmo que não lhe dês nenhum destino.

© Piedade Araújo Sol 2018-01-15

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

sonhos pintados

Eduard Gordeev

nos rostos das pessoas
que se cruzam comigo
em pressas a lembrar
fugas improvisadas
em atropelos de momentos
no anonimato
que a cidade me traz
consigo pintar sonhos.

alheios ao meu devaneio
eu confundo  traços
na paisagem quieta
outras vezes calada
em dias de sol
e  também de neblina.

ninguém precisa saber
que os sonhos sempre me acompanham
que os entrelaço e desfaço
que os dissolvo na minha mente
em cores suaves, outras vezes fortes
e outras órfãs de colorido e sem memórias.

e, se  a tela que não é visível para os demais
não é intenção minha ___ nunca  é.

Foi pintada numa cidade em completo desassossego
e no entanto
entranhada de melancolia.

© Piedade Araújo Sol 2018-01-08

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Véu de pranto e saudade

Andrew Wyeth
À memória do meu pai

É Janeiro!


Neste dia, hoje e sempre, é como se morresses outra vez. E outra. E mais outra.

É como se os barcos estivessem no mar, apenas porque tu não passas no cais e eles estão esperando por ti.

Gostava de acordar novamente com o eco da tua gargalhada a ressoar na casa grande e a perder-se na planície, mas sei que é impossível.

Nunca mais ouvirei a ternura da tua voz, é um facto consumado.

As memórias estão mais esbatidas, é certo, mas o silêncio e as saudades de ti, doem bem no fundo de mim.

Mas tu dizias que não me querias triste e, sabes, eu não estou triste, é apenas saudade, porque depois de tantos anos ainda me faz falta o teu abraço.

© Piedade Araújo Sol 2013-01-01

domingo, 31 de dezembro de 2017

Feliz Ano Novo


Prestes a encerrar mais um ano, que caminha para o seu términus, venho por este meio agradecer sensibilizada a todos os meus leitores, amigos, seguidores e aos anónimos que me visitaram ao longo do ano e/ou que de alguma maneira deixaram aqui a  sua pegada. 

Espero  tê-los novamente neste ano novo que se avizinha, e que a paz brilhe nos nossos corações.

A todos o meu muito obrigada!

Bom ano de 2018

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Feliz Natal


Entorpeço os sentidos e
rumo ao deserto (imaginário)que me
leva no ir e
me ofusca a visão e o sentir.

Natal dizem
Um menino (perdido)
num estábulo em Belém.

Não sabem não vêem
Outros meninos
(esquecidos) 
De afectos
E amor
E olhos (espantados)
na indiferença
Sem saber a cor que brilha
Além.

Natal dizem
No silêncio das palavras
que são rios de mágoas
paridas num frio que até
dói a alma.

Natal
(mas não para todos).


© Piedade Araújo Sol 2012-12-25