terça-feira, 27 de setembro de 2016

o solitário da praia


nunca ninguém questionou o porque, quando deambulas pela praia, mesmo em noites mais inóspitas ou em dias de canícula.
dizem que dormes sobre as estações.
mas, ainda guardas o sol no teu olhar, e o silêncio que carregas em ti, contradiz em absoluto com o barulho das gaivotas e do mar.
antes ainda urdiram estórias para dar um pouco de normalidade ao momento.
hoje já ninguém se lembra de como apareceste e quando se iniciaram esse acasos por vezes ilógicos e improváveis para os demais.
um dia ousei falar contigo dos barcos e de um farol imaginário numa ilha distante…e no teu sorriso quase um esgar as palavras
saíram,
murmuradas :
-eu ainda sei de mim e dos barcos…

© Piedade Araújo Sol 2016-09-27

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Interregno


Os gestos morrem na ponta dos dedos
em labirintos de fantasia
impregnada na pele e no desvario
dos olhares sem termo
num horizonte mesclado de cores
rubras e incandescentes
e a respirar sonhos nos silêncios de nós
sei que eu também entro na tua fantasia
e somos o interregno
dos barcos que descansam
cansados de mar e terra.

© Piedade Araújo Sol 2016-09-20

terça-feira, 13 de setembro de 2016

desfilas sonhos

Saul Landell

Desfilas sonhos…entrelaças palavras
rendilhas memórias
e ficas no silêncio que semeias.

Sem querer é a tua sombra
ou o reflexo do que ainda é
ou foi, ou será.

Já nem sabes, nem queres saber
por vezes sabem a sal o declínio
dos sonhos, sonhados.

Mas o sol espreita,
e  em cada sonho que perece,
há sempre outro a renascer.

Desfilas como grãos de areia,
num deserto, sem oásis
de acasos e ocasos.

©Piedade Araújo Sol  2016-09-13

terça-feira, 6 de setembro de 2016

...


saul landell
… e descansas o teu olhar lasso sobre a brisa da tarde, onde desembrulhas a saudade do tempo, ou do destempo de nós…e sobram apenas os nós dos desencontros nas curvas da vida ou na vida em contra curva a esfumar-se no horizonte e no entardecer …
©Piedade Araújo Sol

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ando por aí


Ando por aí
Em desnorte de mim
A rever caminhos
A guardar sentires
A sorrir em lembranças
Ressurgidas

Repito palavras…e que importa!
Se por vezes sabem bem

©Piedade Araújo Sol  2016-08-30 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Deambulações


Saiu cedo para o dia
quase antes do seu nascer
Acertou os passos
E ligeiros foram deixando pegadas nas areias da praia

Quis usufruir todos os sons
Os odores
A movimentação do mar
A linguagem das nuvens

Aprendeu pouco
Absorveu muito
e coloriu todo o seu saber
Num sorriso maior que o dia

E sabe que as gaivotas que estão a voar
Sabem falar com o vento
E que o vento sorriu
Quando abriu os braços
E começou a semear sonhos
nas águas salgada da praia

© Piedade Araújo Sol 2016-08-23

terça-feira, 16 de agosto de 2016

....


Alexandra Sophie


Abraço o dia
No olhar que me espraia a visão
Sobre o mar
A areia
E o sol

Pincelo a vida na incerteza
Das cores que não ensaiei
E não me saem enérgicas
Mas apenas
Melancólicas
E algo baças

Abraço a tarde
E a esperança amorna
A solidão
Entre a carícia de um olhar
Num sentir oblíquo
De memórias

E entro na noite
Com um sorriso enigmático
Entre um sonho e um beijo
E vejo (te) ausente
Na distracção das cores
Que ainda me faltam inventar

©Piedade Araújo Sol 2016-08-16

(também pode ser lido de baixo para cima)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Ruas

Paolo Barzman

Se eu pudesse, voltava a calcorrear
As ruas
Da minha infância
Passeava-me
E sei que os meus olhos
Atentos e saudosos
Haviam de ver outras ruas
Nas mesmas ruas
©Piedade Araújo Sol  2016-08-09

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Insónia

norvz austria

Permaneço no tempo
do dia em declínio
sem me apetecer saltar os muros
para a noite
atribulada.

Procuro o trilho que me leve
a voar nas profundezas
do sono que nunca vem
nem amordaça
os vestígios dos fantasmas.

E tento desenhar
as memórias de sonhos dispersos
na efemeridade do tempo
e do ocaso
e das fantasias desconectadas.

©Piedade Araújo Sol  2016-08-01

terça-feira, 26 de julho de 2016

hoje encontrei um olhar

Eric Roux Fontaine

hoje encontrei um olhar
a desenhar raios de sol
com o reflexo ainda nas mãos,
pensei que talvez fosse
um pintor de abstractos
em completa inspiração.
não era!
era a imagem do instante
em que os dedos
insurrectos,
escrevinharam velozmente
no guardanapo de papel
rabiscos que formaram palavras.
era um poeta!
©Piedade Araújo Sol  2016-07-26