terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

nas minhas mãos



nas minhas mãos, cabiam todas as tardes em que eu olhava o rio
e o confundia com o mar brilhante que havia nos teus olhos
por vezes plácido
outras vezes quase colérico
quase revolto,

mas as minhas mãos hospedaram tantas vezes as tardes e os dias
que por vezes as palavras foram seda
e a maciez delas em ti foram apenas ocaso
foram ternura desmedida e luz a escorrer em cachão,

as minhas mãos resguardaram o meu mundo
e eu fiquei aqui
nesta margem a tentar prolongar os tons em sépia que o    crepúsculo
ainda e sempre nos mimoseia.

© Piedade Araújo Sol 2013-02-26

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Fantasias

Alosza


Dentro de nós, ainda temos as mãos adornadas
do bulício das ruelas calcorreadas
onde os beijos acontecem
sem sequer sabermos o dia que anoitece
e a manhã que o antecede.

Dentro de mim, ainda oiço o sorriso (teu)
e a ternura dos olhos inundados
de cantos celestiais e aventuras
nas curvas do mar
em ondas amotinadas e salgadas.

Dentro de ti, sei que voas nas asas de um sonho
teu (ou só meu) onde as aves voam com um rumo certo e migram
para países soalheiros
ou tão-somente
para dentro de nós.

E subitamente, o tempo é um labirinto
onde nos inventamos
ou nos perdemos
no fogo das intempéries
ou na erupção dos vulcões
que se desfazem em lava.


© Piedade Araújo Sol