segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Prémio Dardos


fui agraciada pelo "PRÊMIO DARDOS" através do Poeta Luís Alfredo http://luiefmm.blogspot.pt/

"PRÊMIO DARDOS"

O Prêmio Dardos, prestigiado e desejado no mundo dos blogs, reconhece o mérito diário a cada blogueiro que com amor e dedicação faz espalhar o seu conhecimento e criatividade, tornando-o disponível para todos na web.
De acordo com as regras devemos:
-exibir a imagem do selo no blog
-colocar o link do blog de quem se recebeu o prêmio
-escolher outros blogues para receber o Selo Prêmio Dardos
-avisar os escolhidos.

.Agradeço, mas vou fugir às regras e não nomearei nenhum blogue

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Eu escrevo insónia





Dizias que eu, quando me sentia triste, ia para casa
e escrevia um poema.
Mas eu faço poemas mesmo quando não estou triste,
escrevo apenas palavras que brotam de mim
e que ficam ali no papel,
apenas isso. Amanhã, nem eu própria nem ninguém
se lembrará mais delas, das palavras.
.
Eu escrevo insónia e ninguém entende.
E não há motivo aparente para entender.
E se me apetece ligar para ti, não o faço
porque não tenho nada para te dizer,
era só para ouvir a tua voz, mas tu nem irias atender,
porque estás atulhado em trabalho e eu sei que
é verdade, sei, mas não sei se sei aquilo que penso que sei,
porque eu escrevo insónia, e é só uma palavra.
.
Todas as noites antes de adormecer eu escrevo um SMS,
mas não te envio. Leio e depois apago.
Eu sei que tu dirias que não tinhas tempo de ler
E que isso são coisas de putos
E eu volto a escrever insónia.
.
Ninguém sabe que a noite pode não ser igual para todos,
pode ser terrível
de onde saem todos os espectros que nos assolam e
nos transmitem medo.
.
Eu escrevo medo e ninguém tem medo.
Ninguém tem medo do meu medo.
Ninguém quer saber a cor do medo e afinal sou só eu
que tenho medo,
que desfio as cores complicadas que ele emite.

E de que serve escrever insónia?!
Ninguém se lembra…
Ninguém tem medo das palavras que não mostro…


© Piedade Araújo Sol 2012-10-22

Foto : Punczek

    terça-feira, 9 de outubro de 2012

    não sei porquê




    não sei porquê
    mas ainda amanheço com vestígios de pétalas

    de flores silvestres nas mãos

    nos olhos

    nos poros

    talvez o cheiro do teu corpo
    ainda e sempre inesperado
    esteja entranhado em mim naturalmente


    o tempo passa
    e com ele as lembranças
    tendem a ficar desbotadas e sem cor

    como algo que eu não sei explicar
    e que deixou estas cicatrizes em mim doces
    esta melancolia tatuada em pensamentos
    com a vertigem da queda lenta aprazível
    com o abismo do tempo distante tão perto

    talvez eu queira reter algo de ti nas voltas das noites
    até todos os amanheceres
    e assim começar os dias com os teus sinais
    e com a primavera que outrora nos habitou
     


    a verdade é que todo o meu corpo arde
    e as pétalas
    viçosas e frescas que me lembram o teu cheiro
    estão sempre a sorrirem por ti
    para mim
    presentes e espantadas
    em mim


    © Piedade Araújo Sol 2012-10-09

    Foto  - absentia