terça-feira, 25 de abril de 2006

Chegaste sem avisar




Chegaste sem avisar
Era tarde, eu não sabia

Tive medo ao descobrir
Outro mundo em teu olhar

Joguei fora meu sentir
Quis navegar no teu mar

Minha alma errante,
Barco à deriva do teu pensar

E ergueste ventos, lancinante
Em meu tranquilo existir

Vagas de um mar revolto
Sentires desencontrados

Muitas rotas sem retorno
Fim sem sequer começar

Fui onda sem revolta
Mansidão a contemplar

Naveguei sem rota
Sem céu estrelado a guiar

Meus passos, na escuridão,
Deixei tão incertos

Cedi sedenta ao coração
Ignorei as lágrimas destes olhos, tão abertos

Amarfanho em minhas mãos
Meu sentir, e meu pesar

Não navegarei no teu mar
Não terei onde aportar

Percebo-te longinquo, sem voltar
Sobre o vento que ainda ergues

De mãos etéreas, encrispadas,
Chegaste sem avisar...


(parceria de Andreia Reis (AR) e Piedade Araújo Sol )



domingo, 16 de abril de 2006

Recordação

e quando a noite caíu
arrumei meu sentires
deitei-me na cama
apaguei a luz
desatei as recordações
revi-me em ti
tuas mãos nas minhas
minha cabeça
pousada em teu peito
assim adormeci...

(este poema pode ser lido nos dois sentidos)

16-04-2006

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Em cada folha branca

Em cada folha branca, desenhei um rosto
Em cada desenho, escrevi uma frase

Em cada frase, inventei um poema
Em cada poema, lancei uma mensagem

Em cada mensagem, fiz uma oração
Em cada oração, procurei a paz

Encontrei a paz. Sempre numa folha branca
Em que um dia desenhei um rosto...

©Piedade Araújo Sol