terça-feira, 24 de março de 2009

não me magoa o teres partido.

não me magoa o teres partido. por ser inevitável. magoa-me tentar gerir o estado caótico em que deixaste toda a minha filosofia de vida. por teres esfrangalhado todos os meus sonhos em mil cacos. por nunca mais conseguir recuperar os pedacinhos que se estilhaçaram dentro e fora de mim… é só isso que me magoa. por nunca mais ter esses ínfimos fragmentos reunidos, inteiros e nos seus lugares.
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não me magoa o teres partido, como não me vai magoar o regressares. porque isso também é inevitável.
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Foto:niedostępna

terça-feira, 17 de março de 2009

A quietude das águas

O poeta chegou em Março, com o frio e a neve ainda no sangue.
Pediram-lhe que falasse da quietude das águas.
Ele sorriu, porque sabia que do sossego
nada sabia. Nele, só existiam inquietações e tormentas.
O poeta olhou o céu e sentiu frio. Foi nessa altura que se olhou, já de pé, num banco de pedra.
E falou do choro dos outros.
Alguns repararam que o poeta estava completamente nu.

©Piedade Araújo Sol 
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Foto_MPA