terça-feira, 25 de abril de 2006

Chegaste sem avisar




Chegaste sem avisar
Era tarde, eu não sabia

Tive medo ao descobrir
Outro mundo em teu olhar

Joguei fora meu sentir
Quis navegar no teu mar

Minha alma errante,
Barco à deriva do teu pensar

E ergueste ventos, lancinante
Em meu tranquilo existir

Vagas de um mar revolto
Sentires desencontrados

Muitas rotas sem retorno
Fim sem sequer começar

Fui onda sem revolta
Mansidão a contemplar

Naveguei sem rota
Sem céu estrelado a guiar

Meus passos, na escuridão,
Deixei tão incertos

Cedi sedenta ao coração
Ignorei as lágrimas destes olhos, tão abertos

Amarfanho em minhas mãos
Meu sentir, e meu pesar

Não navegarei no teu mar
Não terei onde aportar

Percebo-te longinquo, sem voltar
Sobre o vento que ainda ergues

De mãos etéreas, encrispadas,
Chegaste sem avisar...


(parceria de Andreia Reis (AR) e Piedade Araújo Sol )