quinta-feira, 30 de março de 2006

Nesta madrugada (Poema a 4 mãos)


Nesta madrugada sem sono, nem sonhos
Igual a tantas outras
Olho o mar que me acordou
Com o seu lamento triste
E entoo baixinho, este fado
Que a vida me ensinou.
Olhando a pauta, e as notas
Em gestos repetitivos
Dedilhando uma guitarra
Muda
Que nada emite!
Queda e triste como um lamento
Nem sons nem gemidos
Nem ais por ti
Só meus pensamentos sentidos.

Reparo que nada tenho
Reparo que nada sou
Nem guitarra, nem canção
Ou a sombra de mim
Só o mar entoa o seu canto
Um cantar dorido
Que me embala lentamente
Como a mãe embala o filho
Nos seus múrmurios secretos
Conta-me segredos tais
Cadenciando nas ondas
A surpresa
A desordem do meu espanto
Tal é o estado de pranto
Nesta madrugada expectante

(este poema é uma parceria de Piedade Araújo Sol e João marinheiro ausente )