Cartografia do imperceptível
Há
marcas onde nada tocou.
Linhas
desenhadas sem gesto, como se o espaço guardasse memórias do que recusou
existir e, ainda assim, existiu.
Nada
se vê — e, no entanto, algo persiste.
Uma
insistência muda, como um mapa de lugares nunca visitados, que, por alguma
razão, continuam a orientar um destino imprevisível.
O
tempo passa por ali sem deixar idade.
Não
há desgaste, nem princípio.
E,
ainda assim, há uma nitidez estranha naquilo que nunca se revelou por inteiro.
Talvez
seja isso: nem tudo o que atravessa precisa de corpo.
Nem tudo o que fica precisa de ter estado.
Imagem : Mira Nedyalkova
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