Barcos de Papel
A vida dobra-se em barcos de papel
entre dedos que ainda lembram
a infância
na casa junto ao mar.
Colamos margens frágeis
com a paciência breve
de quem acredita
e lançamo-los
à água incerta dos dias.
Alguns seguem altivos
na crista da espuma,
outros cedem
ao primeiro embate
E nunca sabemos
da sua fragilidade:
se foi a corrente
ou o excesso de vento
Ficamos assim —
desfeitos,
como os barcos
que um dia julgámos eternos
Imagem : Ashraful Arefin
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