terça-feira, 5 de maio de 2009

Amoras maduras

Ao sabor das amoras na minha língua maduras
- era talvez o tempo delas – fechei os olhos,
para assim prolongar dentro do meu peito
a memória aconchegada no gosto das bocas.

Como suster o ar – sem respirar? –
Quando bebo a fragrância derramada
Do teu corpo adormecido
Sob os lençóis amarrotados da loucura?

Estou imobilizada – sinto o teu respirar –
Abro lentamente os olhos e perscruto o teu sono.
És terrivelmente belo, qual anjo adormecido.

Os anjos não dormem – nem existem – porque
A loucura cai branda e, alienada, ecoa nos latidos
Noctívagos de um cão à procura de amoras maduras
.
foto:_-_Eau_-_