terça-feira, 29 de novembro de 2005

Sopro

para melhor saborear esse sentir, em forma de sopro,
não sei quando, mas fechei meus olhos
ofuscados pela ternura, e num ápice
encontrei-me num tempo fora de tempo
cheio de encanto formado
momento que nunca ficou ausente
esse sol veio me aquecer o corpo
acordou o sentir do coração
sedento de paz
num sopro arrebatado de volúpia
no lugar certo, ou no lugar errado
as luas passaram, e o luar desceu
na planície, iluminando a erva fresca
nos prados tão verdes como
um olhar amedrontado
pelo sopro que balançou
o sentir do coração
estremeceu…

(Nota: este poema pode ser lido nos dois sentidos
de cima para baixo ou vice-versa)

domingo, 27 de novembro de 2005

As letras

Golpeio
letra a letra
formo um enredado
de
sílabas
consoantes
verbos
e...
traço a traço
letra a letra
escrevo
palavras....

sábado, 26 de novembro de 2005

Incerteza

Ontem peguei nos pincéis, diluí aguarelas.
com raiva misturei as cores, ali sobre
a tela que me parecia sorrir sarcasticamente, as
tintas confundiram-se com a lágrima
que obstinadamente
escorria, e fui engendrando tons, esbatendo
texturas.

Hoje, olhei sem raiva para a tela acabada
e achei que nunca reproduzi tão fiel, a incerteza
que por momentos
meu coração sentiu.....

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Farpas

Arrumo meu quebranto
e reinvento-te, hoje, amanhã
e sempre
minhas palavras doridas
caem silenciosas
no papel virgem
são estilhas que deslizam
na erosão, e agitação
deste meu sentir
dividido
despedaçado
partido
desfigurado
despido
mas não
vencido….

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Momento

Porquê este sofrimento passivo
no tempo.procuro algo que suavize e não
encontro nem respostas, nem saídas.
não gosto de puzzles complexos .gosto
da transparência.quedo-me triste, e
olho o fundo da lassidão, que me tolhe
a alegria, e onde a tristeza se mistura
e
se infiltra. tomando conta do momento…

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Teu nome

Ao crepúsculo
Olhei para o mar
Senti vontade
De gritar teu nome
Mas
Antes as aves
Levantaram voo
E velozmente
Resvalaram
Na minha voz
Que precipitada
Não gritou

Não podia…

Eu não sei o teu nome!!!

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Estátua

Sou um gesto parado, absorvido pela aridez
dos sons interrompidos, na terra do acaso
voltarei a ser uma sombra estática
que sonhará madrugadas impregnadas
de ternuras cheias de poemas soltos
como pétalas de rosas amarelas
que guardo secretamente
nuns olhos de maresia salgada
onde por vezes se confundem
o sorriso puro das crianças, com o sabor a sal
que escorre timidamente
e
se emudece
abandonado..

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Em Lisboa

Está frio em Lisboa
Novembro, sufoca dentro e fora de mim
A meu lado o Tejo
E troco o beijo
Amanha vou para Madrid
Sem ti
O que farei não sei
Não tem lei
Meu sonho, aqui presente
Na noite mormente
Sinto-te aqui junto de mim
E quero adiar o fim
Abraço, sinto teu calor
Teu corpo e sabor
Retenho a esperança
Avivo a lembrança
Perco-me em desejo
Impaciente, nem vejo
Deixo-te fluir
No meu sentir
Mas…não te digo adeus
E sei!Hoje é a ultima vez
A nosso lado o Tejo
E trocamos o beijo
Novembro, sufoca dentro e fora de mim
Está frio em Lisboa


NOTA:Este poema é par ser lido de 4 maneiras
1-de cima para baixo
2-de baixo para cima
3-só os versos em negrito
4-só os versos sem o negrito

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Auto-retrato

Guardo a cor do instante
Distante
Diluo o prazer do momento ausente
Presente
Fico estática, deslumbrada na penumbra
Difunda
Na mensagem da ida nos ventos
Dos tempos
Colho antigos e belos sorrisos
Indecisos
De tudo o que quis da vida
Sentida
Amarfanho para ali a acção
Sem razão
Sou um torvelinho de sentimentos
Prementes
Adormeço quieta sorrindo
Meu retrato findo

sábado, 12 de novembro de 2005

do divagar


esqueci tudo o que aprendi,não sei como.
mas hoje. olho para trás e não resta nada.
tudo o que um dia aprendi.desaprendi.
e sei também que nada será
como sempre foi. não
sei misturar as cores e com elas
conseguir uma simbiose de efeitos
sobre a tela. as cores fogem-me.
o arco-íris ficou sem tons. esqueci tudo
não sei que se passa. não sei
como ainda a água corre sempre
para o mar...

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quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Talvez...


Essa guerra não foi minha
nem tua.
Foi deles, talvez…
se algúem perdeu, não fui eu
foste tu
ou eles talvez…
Eu nunca viciei as armas
nunca as tive
as minhas armas
foram as palavras
que entendiam
E no entanto distorciam
sempre
Não fui cobaia
se alguém foi
não fui eu
Foste tu
ou eles, talvez…
não perdi, nunca me iludi
Sempre vi as artimanhas
das armas carregadas
prontas a serem, disparadas
as palavras, talvez…
arremessavam mesmo sem munições
a palavra vazia de tudo
não existiu, não podia
porque para mim
essa guerra nunca existiu
Nunca foste guerreiro
nem soldado
nem sequer herói
foste só um prisioneiro
duma guerra inventada
por ti
ou por eles
Talvez….

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segunda-feira, 7 de novembro de 2005

do olhar

Era tarde
perdi-me num olhar
derrapei numa curva da vida
talvez esse olhar
nunca se perdeu no meu
e eu nunca
mais reencontrei
outro olhar
para me voltar
a perder

07-11-2005

sábado, 5 de novembro de 2005

Caminhando


caminhando sem eira nem beira
andando sem olhar para trás
rindo sem nexo
lançando olhares sentidos
onde vou nao sei...
sei que vou......

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sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Serenidade

Esqueci onde acautelei
esta serenidade
não sei onde está
mas
sei que a tenho algures
por aí
basta-me procurar
e retocar para
novamente transluzir
seu brilho inicial...

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quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Um olhar

De um olhar Fiz um poema De um poema Uma canção E com uma clave Fiz a musica E o poema Virou parte De mim Gotas de luz Abrangendo a cor De um olhar Escondido num poema...

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Trevas


Silhueta definida
No fundo da rua
Batom carregado
Cabelo pintado
Unhas com verniz
Botas altas
Saia curta
Olhar ausente
Segredo escondido
Sorriso forçado
Cigarro semi-aceso
Entre os dedos
Medo disfarçado
Tarde inquieta
Espera sem espera
Tarde finda
Noite à espreita
Silhueta opaca
No fundo da rua
Pavimento escorregadio...