terça-feira, 1 de abril de 2025

Sombras em Eco

 

Neste marulhar de sensações,
habita-me um eco de sombras,
como ___ um mapa inacabado,
traçado em esquissos incertos,
sem escalas ____ que o decifrem.

Sugerem-se labirintos,
aliados ___ a abismos agudos,
onde pedras arrancadas,
ainda sustentam raízes,
em frágeis fios de existência.

Mãos ___ entorpecidas
desfalecem ___ no regaço,
e o olhar desertifica-se,
melancolicamente ____ suspenso.

O riso ____ outrora límpido,
jaz na brandura dos dias ___sem cronologia,
onde uma nesga de luz,
teima ____ em penetrar
pelas frinchas da porta carcomida.

E as sombras ____ deslizam,
silenciosas ____ sobre o soalho,
ruminando ___ segredos
que o tempo ainda guarda…

Autor  : ©Piedade Araújo Sol 2025-03-31
Imagem : Norvz-Austria

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terça-feira, 25 de março de 2025

Poesia ___ A minha ___ Em dia Mundial de Poesia

Pinterest

A poesia é hera que me sobe nos dedos,
germina palavras ___ enlaça-me a alma,
cresce sem pressa ___ feito promessa,
tem raízes fundas ___ fecundas
e ornadas com ____sensibilidade.

Escrevo sem data marcada,
mas sei que te encontro nos versos,
onde deposito ____ ternura
em pétalas suaves que voam
lançando perfume ____no dia esperado.

Palavras ocultas em sorrisos mansos,
Poe vezes em lágrimas ____e em silêncios,
nos dias de sol ____ e também de chuva,
no desassossego ____e na doçura,
no eco eterno da vida.

Poesia ___, peregrina de anseios,
meu amor constante, minha companhia.

© Piedade Araújo Sol 2025-03-21

Pinterest

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terça-feira, 18 de março de 2025

Meu poema de amor

Semana comemorativa do Dia Mundial da Poesia
A convite da Amiga Rosélia aqui deixo a minha participação:

Na fímbria do rio, onde os olhares falam,
nenhuma palavra se fez necessária,
bastava o enlace dos nossos dedos,
e a correnteza mansa do silêncio.

O tempo seguiu seus meandros,
mas o amor, fiel à sua sina,
desceu com o rio até a foz,
e adormeceu nos braços do mar.

A Primavera sussurra promessas,
e na alvorada o teu nome renasce,
como um eco do ontem,
como um lume que nunca se apaga.

No sopro do vento envio-te um verso,
entrelaçado de ternura e saudade,
para que dure enquanto houver fôlego,
enquanto o amor souber o caminho.

Seja qual for a estrada que venha,
nos cruzamentos da vida seguimos,
dois passos em uníssono,
um só destino, uma só essência.

©Piedade Araújo Sol 2025-03-18

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terça-feira, 11 de março de 2025

Turbilhão


Não fugi ___ apenas escapei ao turbilhão
dos sentimentos em olhares baços,
onde os presságios
se sobrepunham ao rasgar das marés.

Procurei abrigo entre as falhas do vento
e da maresia, com seu especial cheiro de mar.
A cidade _____ já não é a mesma.
Nós já não somos os mesmos.

Somos apenas caminhantes ocasionais.
Agarro com força a lucidez que ainda me resta
_____há imprevistos pendurados no limite
de forças estéreis ou esvaídas.

Cada dia é ____ outro dia.
Cada manhã ____ um recomeço,
como o princípio de um sonho
que ainda não aconteceu,
mas ____ pode acontecer.

©Piedade Araújo Sol  2025-03-10
Imagem :Stephen Carroll

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terça-feira, 4 de março de 2025

Memórias do Silêncio

Até hoje não sei porquê,
naquele dia descalcei as sandálias
e, de pés nus, deambulei pela orla da praia,
perseguindo as gaivotas
no seu voo exagerado.

Não sei quando a aflição,
que se entranhava em mim,
se fez alheamento,
cogitando saídas,
seguindo trilhos desconhecidos.

Talvez já não me interesse saber
quando a cidade grande me abandonou,
quando o seu fulgor — que fora paixão — deixou de seduzir-me
e, como um silêncio estrondoso,
me desamparou nas ruelas partilhadas.

Não é tarde, mas a solidão e o desencanto
fizeram parceria que não quero decifrar,
e de cada metade ficou este silêncio alongado
sobre a epiderme, enquanto a mente entorpecida
deambula apenas pelas memórias do silêncio.

Autor : ©Piedade Araújo Sol
Imagem : Sanya Komenko

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

As galochas amarelas


Há muitos anos, a minha mãe ofereceu-me
umas galochas amarelas – eram lindas.
Usava-as quando chovia,
com meias brancas de corações encarnados.

Nessa altura, desenhava em tudo o que encontrava
e refugiava-me nas águas-furtadas
com o meu amigo imaginário,
a quem chamei Set.

Sobre a mesa onde estudava,
um desenho dele pendia da parede,
e conversávamos
coisas que só ele entendia.
Embora imaginário, era real para mim.

Um dia, pensei que também precisaria de galochas.
Pedi outras à minha mãe.
Ela, astuta, perguntou porquê.
Fiz birra – queria umas pretas.

Ganhei-as.
Coloquei-as ao lado do desenho.
Nunca as calcei. Eram do Set.
A mãe, sempre atarefada,
nunca descobriu o meu segredo.

Nunca soube do Set.

Autor  © Piedade Araújo Sol 2025-02-24
Imagem : Jessica Drossin

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Não sei se voltaremos a falar

Não sei se voltaremos a falar
de assuntos profundos
ou meras trivialidades,
como o tempo antes da chuva
ou o sol que banha o teu cabelo.

Não sei se regresso ao tempo nosso
ou me entrego ao recolhimento,
obedecendo ao silêncio
como a um voto de sacrifício
ou a um orgulho supérfluo,

onde os pensamentos se contestam
e a memória se fragmenta
em sombras errantes—
tempestades ou insónias.

O meu olhar não se esvazia:
todos os dias ensaia a morte do dia
e o renascer no poente;
todos os dias ressuscita com as manhãs.

E para todo o sempre, este nó—
de verbos, pronomes e sílabas—
sufocado na garganta,
com o teu nome
preso debaixo da língua.

Não sei se voltaremos a falar.

© Piedade Araújo Sol  2025-02-17
Imagem :Anka Zhuravleva 

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Horizonte de Nuvens

 

Pesam-me os dias cinzentos,
embora nem sempre possam ser azuis.
Examino, nesses momentos,
o tempo que, energicamente,
segue seu destino como um legado.

Por vezes, ando distraída
e fico a olhar o vazio,
estendido sobre o dia
que forja o mistério
no horizonte mesclado de nuvens.

Mas ouço o eco do tempo,
não perco a sua simetria.
Reúno os sonhos que ainda tenho
como um novelo de nuvens.

Com o meu olhar,
levo-os para onde voam os pássaros
e sigo no rumo deles,
para conquistar os azuis
que ainda me sobram.

© Piedade Araújo Sol 2025-02-10
Imagem : Maria Kaimaki

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Caminhos da Esperança

Por entre trilhos que tracei,
corri ___ além da pressa,
tropecei ___ nos desvios,
e, desamparada, tantas vezes caí.

No coração do caos,
ainda pulsa a coragem.
A resiliência dança connosco —
caímos e nos erguemos, ___ sempre.

Se o tempo nos desafia,
driblamos sua pressa.
Cantamos sob ventos rebeldes,
sorrimos onde lágrimas aspiravam viver.

Há mágoas no ocaso, sim,
mas a cada amanhecer
bordamos cores na trama da vida,
fazendo-a vibrar sem intervalos.

E que os sonhos prevaleçam,
hoje e amanhã,
pois, mesmo sabendo que são ilusão,
eles iluminam o milagre
de estarmos aqui—abençoados pela vida.

©Piedade Araújo Sol 2025-02-03
Imagem ; ILya Kisaradov

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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Cicatrizes de Memórias

Esta mania de me perder pelo calçadão da praia, ou de repousar no banco de pedra esculpida, deixa-me frente a frente com o vaivém das marés e as lembranças que elas convocam. Memórias boas, indeléveis, cravadas no meu ser como tatuagens da alma.

Não são sombras a me assombrar, mas constatações. Fragmentos matizados por cores suaves, às vezes enigmáticas, que, no seu surrealismo, me abraçam. São pinceladas de realidade que, mesmo pertencendo ao passado, sustentam o presente — uma bolha de aguarelas onde me refugio.

Será loucura, talvez. Mas, entre os abismos que às vezes me rondam, há algo de sagrado nesse desvario. Uma sanidade peculiar que encontra na memória um porto seguro.

As cicatrizes permanecem, não como feridas, mas como mapas que me guiam. Há um beijo trocado junto ao rio, perdido na noite pardacenta e gélida. Um casaco emprestado que, naquela madrugada, se tornou abrigo para o corpo e a alma.

Foram gestos simples, porém eternos. Amor e amizade teceram um laço que o tempo não desfez. Cicatrizes, sim, mas daquelas que enobrecem. Elas vivem comigo, ancoradas entre o ontem e o amanhã.

© Piedade Araújo Sol 2025-01-27
Imagem :Kindra Nikole

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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

O Poder das Palavras

Sempre idolatrei as palavras. Com elas, construo pontes, dissolvo neblinas, planto flores e nutro a inspiração, sempre ávida por novos desafios.

As palavras são o meu ancoradouro; nelas encontro abrigo e, com elas, construo os versos que me definem.

Mas, se não forem bem escolhidas, dóceis ou carregadas de propósito, podem ferir, trazer sofrimento e mágoa profunda.

Podem, ainda, ser apenas reflexos de estados de alma, escritas em momentos de inquietação.

Quantas vezes as palavras são usadas como armas de arremesso que, uma vez lançadas, não podem ser apagadas.

E é assim que, tantas vezes, nos encontramos diante de palavras que matam um pouco de nós:aquelas que destilam ódio, maldade ou preconceito, muitas vezes desprovidas de sentimentos ou de coerência.

E, nesse caos, as neblinas tomam conta dos nossos corações.

©Piedade Araújo Sol 2025-01-20
Imagem : David Talley

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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

A Poesia é um Estado de Alma

A poesia é uma toalha na mesa,
é um cobertor quente, é um sofá confortável.
A poesia é o encontro com alguém que nos aceita e completa.
Luís Rodrigues
https://brancasnuvensnegras.blogspot.com/


A poesia chega como um sopro a ciciar,
sem estações nem horas.
Surge no vislumbre, às vezes,
das nuvens abraçadas no céu,
outras vezes, a observar
papoilas dançando ao sabor do vento
em campos imensos, a perder de vista.

O olhar abarca, e o pensamento voa.
A poesia nasce num poema reluzente
ou se tece em camadas,
imbuídas de metáforas.
Outras vezes, vem em puro estado vegan,
mesclando-se à melodia.

Desenham-se bailarinas
em tons suaves de pastel,
vestidas de tule ou organza.
A poesia nasce, renasce,
em dia não, em dia sim.

Para quem a ama,
ela é a companhia que auxilia,
vive com o poeta,
dia e noite,
noite e dia.

Isso, em lume brando, é a poesia.

Autor ©Piedade Araújo Sol 2025-01-12
Imagem :Marina Skenko

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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Hoje

Hoje quero ser apenas areia,
caminhar sem regras, sem destino.
Quero dançar com as algas,
ouvir o som do vento,
inspirar o aroma da maresia.

E não me ensinem—eu já sei:
a vida não é recta,
é feita de curvas,
contracurvas,
e de gáudios entrelaçados a pesares.

Por ora, esqueço as mágoas,
as dores que carrego,
a ingratidão, a maldade.
Em catarse, me redimo,
anónima, no grão de areia que sou

©Piedade Araújo Sol 2025-01-07
Imagem : Natalie Karpushenko

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Foi em Janeiro

É Janeiro de um ano que agora começou.

Hoje, como  sempre no primeiro dia do ano, sinto que o tempo me naufraga. Parece que me morres outra vez, e outra, e mais uma vez, sempre que o vento traz o perfume do mar.

É como se os barcos estivessem à deriva, apenas porque tu já  não atravessas o cais. Eles esperam, como eu espero, mas sei que não virás, nunca mais.

Gostava de ouvir novamente o eco da tua gargalhada enchendo a casa, invadindo e dançando com as ondas do mar aqui tão perto de mim.

 Mas agora há um silêncio tão profundo quanto as águas que já não navegas.

A tua voz, esse porto seguro, deixou de se ouvir há tantos, tantos anos que já nem os contabilizo. É um fato concluído, mas ainda estranho, ainda dói, a tua ausência.

As memórias desbotam com o tempo, mas a saudade brilha como uma estrela solitária reflectida no oceano, que volta todos os anos neste dia de todos os anos que se sobrepuseram, depois da tua partida não esperada. Ela pesa, não como um fardo, mas como um casco vazio que se recusa a afundar.

Sabes, pai , eu sei que é apenas o garrote da  saudade que se faz sentir, e que, mesmo agora, tantos anos depois, o teu abraço ainda me faz falta  na mesma simetria como faz falta o farol para o marinheiro perdido.

Até sempre Pai!

©Piedade Araújo Sol 2025-01-01
Imagem :David Freske

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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Agradecimento

Antes de terminar o ano de 2024, quero deixar aqui uma palavra de gratidão e amizade a todos os que, pacientemente, reservaram um pouco do seu tempo para visitar e interagir com os seus valiosos comentários no meu espaço. Vocês são as peças fundamentais que enriquecem o meu blogue e me inspiram a continuar criando e partilhando os meus trabalhos poéticos.

Desejo que 2025 traga a cada um de vocês um fragmento de bem-aventurança, envolto em serenidade, inspiração e muita saúde.

Muito obrigada por estarem desse lado e por tornarem este caminho mais significativo.

Feliz Ano Novo de 2025 para todos, todos!

©Piedade Araújo Sol


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