terça-feira, 28 de abril de 2026

Enigmas

 

Há coisas
que não se deixam nomear.

Atravessam o espaço,
como se não lhes pertencesse,
sem peso, sem permanência.

Não são ausência, nem inexistência.
Mas também não subsistem.

Ficam apenas sinais mínimos:
um frio deslocado,
uma alteração quase imperceptível
na ordem das coisas.

Por vezes, irrompe um brilho súbito
breve demais, para ser memória.

Depois, dissipa-se,
como se nunca tivesse estado.
Há movimentos
que não consentem origem
nem destino.

E, ainda assim,
insistem em passar.
Não se prende
o que não reconhece chão.

©Piedade Araújo Sol 2026-04-27
Imagem :Katerina Plotnikova

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terça-feira, 21 de abril de 2026

Uma sombra na rua

O meu grito asfixia
não sei se é medo
ou mágoa
ou o peso indistinto de ambas.

Na rua,
a minha sombra é o único vestígio,
um traço imperfeito
na noite de luz cansada.

Quem me embala
até que o sono me encontre?
Quem me recolhe
quando a dor não adormece?

A noite veste tons sem nome
e alonga o silêncio
impiedoso e frio
pela rua deserta.

É noite — eu sei.

Por isso,abraço a minha sombra
e, passo a passo,
abrirei uma janela
onde as estrelas ainda resistem.

©Piedade Araújo Sol 2026-04-20
Imagem : Melania Brescia

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terça-feira, 14 de abril de 2026

Quando o Mundo Dói em Mim

Hoje ___ o dia acordou-me
com o peso dos outros,
até o céu ___ em tons de cinza
se desfaz ___em flocos de silêncio.

Tento distrair o olhar
___ inábil___ pincelar cor
no que resiste ao gesto
mas a imaginação ___insiste.

Talvez ___ num tempo breve
as rosas em botão___ se abram
e o seu aroma ___embriague o mundo
até que a ferida ___desaprenda a doer.

Que o abismo _____ se renda ao chão
e a noite ____ desnude o frio
em véus de cetim____para que possamos registar
na pele do momento:

Esperança
Perdão
Paz

©Piedade Araújo Sol 2026-04-13
Imagem : Laura Makabresku

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terça-feira, 7 de abril de 2026

Palavras Suspensas

Hoje tirei o dia
para plantar palavras
no livro da vida.

Desafio verbos,
rimas e velhas regras
e lanço-as às falésias.

Que o vento as leve
e a luz se sobreponha às trevas,
que o mundo não roube sonhos.

Que as praias sejam de areia fina,
os oceanos de peixes livres,
e o ar que respiramos seja puro.

Que não falte pão em nenhum lar,
que as crianças sejam livres
e tenham apenas de brincar.

Palavras que explodem em certezas sãs.
Que a Paz seja real e não apenas uma palavra,
palavras suspensas à espera de chão.

Autor : ©Piedade Araújo Sol 2026-04-06
Imagem : Bella Kotak

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