Há dias em que a realidade se veste de crueldade
por vezes insana, num compasso sem razão
um desnorte que tropeça em si mesmo,
onde a cegueira impera
e até a luz desaprende o caminho.
´Há risos que se confundem com golpes,
gestos que desnudam quem os pratica
e deixam, em quem os recebe,
o peso invisível de um nome que nunca escolheu.
O poço já não tem fundo.
qualquer pedra encontra a alma,
qualquer palavra sabe ferir.
Abrem-se fendas difíceis de sarar,
estilhaçadas como cacos de vidro,
que permanecem sob a pele
mesmo depois de varrido o silêncio.
E há dores que não sangram.
apenas ensinam o coração
a caminhar descalço
sobre os destroços da própria dignidade.
Autor : ©Piedade Araújo Sol 2026-08-03
Imagem : Anna O.

Bom dia, cara amiga Piedade
ResponderEliminarHoje "O poço sem fundo" onde gente é enterrada atrozmente.
"Há dores que não sangram"
guardam o desalento o sofrimento no
interior secreto do sentir
Um bj.
E é por isso que tudo chega ao fim.
ResponderEliminarUm abraço.
Boa tarde Amiga Pity,
ResponderEliminarUm poema sublime, muito profundo!
Há palavras, gestos, olhares, atitudes, no fundo a falta de amor para com o outro, que ferem como punhais deixando cicatrizes para sempre no corpo e na alma de quem é vítima.
Gostei muito da forma como termina o poema.
«Dores que ensinam a caminhar descalço sobre os destroços da própria dignidade».
Deixo-lhe um beijinho e desejos de continuação de uma boa semana.
Emília
Mais uma vez,
ResponderEliminarteu poema merecia ser musicado
Desta feita, não sob a forma de hino,
mas sim com um trinado
de fado, pois fado é destino
Beijo de fã
Lindo poema.. Te mando un beso.
ResponderEliminarAmiga Pity, boa noite de paz!
ResponderEliminarQuando se perde a dignidade, perde-se tudo.
Um belíssimo poema com imagens fortes e reais da alma estraçalhada...
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Há dias em que tudo nos magoa...Por vezes, demora-se anos até recuperar um certo à-vontade.
ResponderEliminarBelo.
Beijos e abraços
Marta
Boa tarde, Pity.
ResponderEliminarSublime e profundo poema, que revela uma dor silenciosa nascida de gestos e palavras que ferem sem deixar marcas visíveis. A imagem do “poço sem fundo” simboliza esse lugar interno onde tudo machuca, e onde o coração aprende a seguir apesar dos destroços da própria dignidade.
Apreciei imenso este teu dorido poema.
Beijinho e ótima semana com paz e saúde,😘
Buona serata
ResponderEliminarOlá, querida Piedade!
ResponderEliminarMaravilha, amiga, profundo e belíssimo poema dentro de uma realidade um tanto triste!
Lindo demais, amiga, é o mundo em que vivemos, muita crueldade, crimes, guerras... uma reflexão e tanto, saudades de outros tempos, quando as coisas eram bem mais tranquilas. Hoje em dia, ligamos a TV, rádio e só notícias horrorosas. Pena, outro mundo!
Beijinho, adoro teus poemas, de muita sensibilidade.
🌹🩷🌻🙋♀️
Muito belo o teu poema Pity!
ResponderEliminarSim, por vezes a realidade se veste de crueldade. E não há alquimia, nem sorrisos, nem esperança. A existência parece suspensa na fragilidade de um fio e o ar tem o peso do mundo e os gestos vacilam na densidade das sombras.
Contudo, há sempre algo que resiste dentro de nós. Um instinto súbito e transformador onde a sombra se torna memória, e o gesto retorna na sua leveza... porque tudo o que respira, ainda vive!...
Grato pelas belas palavras que
me deixou.
Votos de um dia feliz!
Abraço.
Parabéns pelo texto lindo e sensível!
ResponderEliminarGostei de ler.
Beijos
Belissimos e profundos versos! A crueldade dos homens atinge o âmago do ser que é atingido.Nem sempre se consegue revigorar-se dessas feridas .
ResponderEliminarTema forte e real. Parabéns, querida Pity por sua sensibilidade.
Tenha um ótimo final de semana.
Beijinhos!
Olá querida Piedade! É uma triste verdade que as feridas invisíveis e as dores que não sangram são muitas vezes as mais difíceis de curar e as que mais pesam. Lindíssimos versos, como sempre! 🤗 Abraços!
ResponderEliminarTantas vezes nos sentimos num posso sem fundo ao longo da vida...
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Identifico-me com estas palavras, já sentidas também na pele! Identifico-me com a sua escrita!
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