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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Poço sem Fundo

Há dias em que a realidade se veste de crueldade
por vezes insana, num compasso sem razão
um desnorte que tropeça em si mesmo,
onde a cegueira impera
e até a luz desaprende o caminho.

´Há risos que se confundem com golpes,
gestos que desnudam quem os pratica
e deixam, em quem os recebe,
o peso invisível de um nome que nunca escolheu.

O poço já não tem fundo.
qualquer pedra encontra a alma,
qualquer palavra sabe ferir.

Abrem-se fendas difíceis de sarar,
estilhaçadas como cacos de vidro,
que permanecem sob a pele
mesmo depois de varrido o silêncio.

E há dores que não sangram.
apenas ensinam o coração
a caminhar descalço
sobre os destroços da própria dignidade.

Autor : ©Piedade Araújo Sol 2026-08-03
Imagem : Anna O.

16 comentários:

  1. Bom dia, cara amiga Piedade
    Hoje "O poço sem fundo" onde gente é enterrada atrozmente.
    "Há dores que não sangram"
    guardam o desalento o sofrimento no
    interior secreto do sentir

    Um bj.

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  2. E é por isso que tudo chega ao fim.
    Um abraço.

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  3. Boa tarde Amiga Pity,
    Um poema sublime, muito profundo!
    Há palavras, gestos, olhares, atitudes, no fundo a falta de amor para com o outro, que ferem como punhais deixando cicatrizes para sempre no corpo e na alma de quem é vítima.
    Gostei muito da forma como termina o poema.
    «Dores que ensinam a caminhar descalço sobre os destroços da própria dignidade».
    Deixo-lhe um beijinho e desejos de continuação de uma boa semana.
    Emília

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  4. Mais uma vez,
    teu poema merecia ser musicado
    Desta feita, não sob a forma de hino,
    mas sim com um trinado
    de fado, pois fado é destino

    Beijo de fã

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  5. Amiga Pity, boa noite de paz!
    Quando se perde a dignidade, perde-se tudo.
    Um belíssimo poema com imagens fortes e reais da alma estraçalhada...
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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  6. Há dias em que tudo nos magoa...Por vezes, demora-se anos até recuperar um certo à-vontade.
    Belo.
    Beijos e abraços
    Marta

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  7. Boa tarde, Pity.
    Sublime e profundo poema, que revela uma dor silenciosa nascida de gestos e palavras que ferem sem deixar marcas visíveis. A imagem do “poço sem fundo” simboliza esse lugar interno onde tudo machuca, e onde o coração aprende a seguir apesar dos destroços da própria dignidade.
    Apreciei imenso este teu dorido poema.
    Beijinho e ótima semana com paz e saúde,😘

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  8. Olá, querida Piedade!
    Maravilha, amiga, profundo e belíssimo poema dentro de uma realidade um tanto triste!
    Lindo demais, amiga, é o mundo em que vivemos, muita crueldade, crimes, guerras... uma reflexão e tanto, saudades de outros tempos, quando as coisas eram bem mais tranquilas. Hoje em dia, ligamos a TV, rádio e só notícias horrorosas. Pena, outro mundo!
    Beijinho, adoro teus poemas, de muita sensibilidade.
    🌹🩷🌻🙋‍♀️

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  9. Muito belo o teu poema Pity!
    Sim, por vezes a realidade se veste de crueldade. E não há alquimia, nem sorrisos, nem esperança. A existência parece suspensa na fragilidade de um fio e o ar tem o peso do mundo e os gestos vacilam na densidade das sombras.
    Contudo, há sempre algo que resiste dentro de nós. Um instinto súbito e transformador onde a sombra se torna memória, e o gesto retorna na sua leveza... porque tudo o que respira, ainda vive!...

    Grato pelas belas palavras que
    me deixou.
    Votos de um dia feliz!
    Abraço.

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  10. Parabéns pelo texto lindo e sensível!
    Gostei de ler.
    Beijos

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  11. Belissimos e profundos versos! A crueldade dos homens atinge o âmago do ser que é atingido.Nem sempre se consegue revigorar-se dessas feridas .
    Tema forte e real. Parabéns, querida Pity por sua sensibilidade.
    Tenha um ótimo final de semana.
    Beijinhos!

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  12. Olá querida Piedade! É uma triste verdade que as feridas invisíveis e as dores que não sangram são muitas vezes as mais difíceis de curar e as que mais pesam. Lindíssimos versos, como sempre! 🤗 Abraços!

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  13. Tantas vezes nos sentimos num posso sem fundo ao longo da vida...
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  14. Identifico-me com estas palavras, já sentidas também na pele! Identifico-me com a sua escrita!

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