terça-feira, 23 de junho de 2026

O Piano

“Há coisas que permanecem, mesmo depois de já não terem onde ficar.”


Durante décadas foste presença
no centro da sala grande.

Quase todos os dias,
mãos hábeis roçavam-te
e de ti nasciam, Beethoven, Bach,
e outras formas de eternidade.

Depois, o tempo
foi fechando a tampa do som.

Ficaste ali,entre o pó e a penumbra,
com teclas que ainda guardavam
o calor dos dedos
que já não voltariam.

Houve dias difíceis
e tu sabias dizê-los melhor que nós.

Mas um dia, sem peso nem anúncio,
afinaram-te o silêncio
e partiste ___ tão inteiro
como quando chegaste.

Hoje, a sala respira mais vazia.

E, no entanto,
há qualquer coisa que permanece ,
não o som,
mas o lugar onde ele ainda insiste
em acontecer.

Autor © Piedade Araújo Sol 2026-06-22

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18 Comentários:

Blogger Agostinho disse...

Bom dia, Piedade Sol,
belíssimo

O som retine
num recanto recatado da memória
(parece real)

Ouço-o pela noite dentro
com a nitidez de lua cheia,
o vibrar dos ossículos, suaves
dedos a afagar corpo
de leite e chocolate

Marfim e ébano imortais

Bom trabalho. Bj.

terça-feira, 23 junho, 2026  
Blogger Emília Simões disse...

Boa noite Pity,
Um poema muito belo, sublime!
As memórias guardam para sempre locais e objetos, que um dia foram importantes nas nossas vidas, que nos marcaram e que insistem em permanecer.
Gostei muito!
Um beijinho, Pity, e continuação de boa semana.
Emília

terça-feira, 23 junho, 2026  
Blogger J.P. Alexander disse...

lindo poema. Te mando un beso.

quarta-feira, 24 junho, 2026  
Blogger brancas nuvens negras disse...

Desgostos que não se curam... pelo seu simbolismo.
Um abraço.

quarta-feira, 24 junho, 2026  
Blogger Linda's Relaxing Lair disse...

Lovely poem. Thank you so much for sharing, and warm greetings from Montreal, Canada ❤️ 😊 🇨🇦

quinta-feira, 25 junho, 2026  
Blogger Olavo Marques disse...

Olá querida Piedade! A sala que fica fisicamente vazia, mas onde a memória do som ainda insiste em acontecer é imensamente tocante. As coisas que amamos deixam sempre o seu eco. Abraços! 🤗

sexta-feira, 26 junho, 2026  
Blogger VILMA ORZARI PIVA disse...

Que poema belo!!
No vazio da sala ficou o pertencimento que havia em ti.
E eu que sempre o imaginei nunca o conheci.
Beijos!!!

sexta-feira, 26 junho, 2026  
Blogger CCF disse...

Certos objetos ocupam dentro de nós um lugar simbólico que nunca desaparece e um piano nunca é bem só um piano...bela homenagem.

sexta-feira, 26 junho, 2026  
Blogger Mona Lisa disse...

Boa tarde, Pity.
Um excelente e delicado poema, onde o piano se torna memória viva: o som desaparece, mas o lugar onde ele existiu continua a pulsar no silêncio.
Parabéns!
5*****
Beijinho e ótima tarde com paz e saúde.😘

sexta-feira, 26 junho, 2026  
Blogger Fá menor disse...

Visualizei o piano no meio da sala, como na minha um espaço onde um piano ficaria bem.

E como há memórias que insistem em permanecer!

Beijinhos.

sexta-feira, 26 junho, 2026  
Blogger Marta Vinhais disse...

Há memórias que perduram apesar do vazio...porque ainda as escutamos....
Belo.
Beijos e abraços
Marta

sábado, 27 junho, 2026  
Blogger Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, amiga Piedade, O Piano é um poema
de grande beleza, o piano é uma ausência na sala, não pela ausência do som, mas pela sua ausência física, que deixou aquele espaço na sala, espaço que ali permanece, dizendo que ali ele esteve, mas não está mais!
Uma beleza!
Beijo, amiga, um feliz domingo.

domingo, 28 junho, 2026  
Blogger Jordi López Pérez disse...

Esos versos dedicados al piano conmueven el corazón; la forma en que se describe el paso del tiempo, el silencio y ese rincón nostálgico del salón es puro arte y sensibilidad.
Un abrazo, Piedade.

domingo, 28 junho, 2026  
Blogger Jaime Portela disse...

Olá Piedade,
Há memórias que não se apagam.
Excelente poema, gostei imenso.
Boa semana minha amiga.
Beijos.

segunda-feira, 29 junho, 2026  
Blogger Graça Pires disse...

Um piano que deixou de estar no seu lugar. Mas ficou o som no peito de quem ama a música e não passa sem ela. Excelente poema, minha Amiga Piedade.
Tudo de bom.
Um beijo.

segunda-feira, 29 junho, 2026  
Blogger Maria Rodrigues disse...

Tão nostálgico e tão belo.
O piano já lá não está, mas estão a música e as memorias guardadas no coração.
Beijos

segunda-feira, 29 junho, 2026  
Blogger Daniel André disse...

Piedade, seu texto é como uma melodia que permanece ecoando depois da última nota. O piano, em suas mãos, deixa de ser apenas instrumento e se torna memória, silêncio e emoção. Há uma beleza serena na forma como você transforma sons em sentimentos e convida o leitor a escutar também com a alma. Parabéns por mais uma página tão delicada e inspiradora.

Um grande abraço!
Daniel

quarta-feira, 01 julho, 2026  
Blogger Eros de Passagem disse...

Que beleza de poema, Piedade! Mãos hábeis dedilhavam as tuas teclas de marfim, enchiam a casa com valsas, sonatas e risos. Eras o coração daquela sala grande. Ao teu redor, gerações dançaram, choraram e celebraram a vida.
Hoje, o silêncio substituiu as melodias... e por vai.
Beleza de partilha! Muito agradecido pelo belo poema!
Beijo,

sábado, 04 julho, 2026  

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