Maré de Silêncio
Sobre mim desce um manto de silêncio
como se as vagas do mar
estivessem mudas, envoltas
apenas nas areias.
Calar não é esquecer,
mas apenas fugir — ou ficar —
e manter-se à tona das águas
na espuma do tempo.
Ainda existem correntes de vida,
embora já não existam brilhos
de nenhum farol
nesta noite de breu,
que iluminem caminhos
onde eu possa repousar
o cansaço deste ciclo de marés
que se enrolam em mim…
Autor : ©Piedade Araújo Sol
Imagem : Brooke Shaden
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia

2 Comentários:
Por vezes, o cansaço não nos deixa ver a luz e ficamos calados....
Beijos e abraços
Marta
Boa tarde Pity,
Um poema magnífico, muito profundo, onde o mar espelha o mundo interior.
O silêncio surge como uma forma de resistência, enquanto as "correntes de vida" deixam perceber que, mesmo na escuridão, ainda existe um fio de esperança.
Gostei, muito, Pity! Parabéns, pela sua enorme inspiração.
Um beijinho e uma tarde e semana muito serenas.
Emília
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