terça-feira, 2 de junho de 2026

A casa Grande

Na casa onde já ninguém mora
permanece
— ou apenas insiste —
uma luz acesa.

As paredes caiadas
guardam o que não se diz.

Na mesa da sala
o pó assenta devagar
como se ainda esperasse mãos.

O chão de madeira
range sem peso.

A luz
mantém-se.

Nem o verão a dissolve
nem o inverno a cansa.

No cimo da colina
a casa grande
segura-se à pedra
enquanto tudo o resto
já cedeu.

Autor : © Piedade Araújo Sol 2026-06-01
Imagem : Janelle Pietrzak

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13 Comentários:

Blogger Marta Vinhais disse...

Vive nas memórias invisíveis, mas sentidas...
Belo...
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 02 junho, 2026  
Blogger chica disse...

Tão lindo e como existem casas grandes que acabam assim sozinhas! beijos, chica

terça-feira, 02 junho, 2026  
Blogger Emília Simões disse...

Boa tarde Pity,
Um poema muito belo, que me comoveu, porque me revi num cenário semelhante.
Tudo cede. As pessoas que amámos, os locais onde brincámos, tudo vai cedendo ao tempo e não há forma de voltar atrás.
Ciclos da vida, embora a chama se mantenha acesa dentro de nós.
Um beijinho e continuação de boa semana:)!
Emília

terça-feira, 02 junho, 2026  
Blogger Fá menor disse...

Há sempre alguma luz que chama...

Beijinhos.

terça-feira, 02 junho, 2026  
Blogger brancas nuvens negras disse...

Fantasmas habitam essa casa. Alguém deixou lá as suas vidas.
Um abraço.

terça-feira, 02 junho, 2026  
Blogger CCF disse...

Alguns de nós são como essa casa, tentamos segurar-nos e que as nossas raízes não cedam.

quarta-feira, 03 junho, 2026  
Blogger J.P. Alexander disse...

Bello poema. Te mando un beso.

quarta-feira, 03 junho, 2026  
Blogger Graça Pires disse...

As casas antigas guardam as nossas memórias e e lembram-nos os entes queridos que lá viveram e nos fizeram companhia.
Tudo de bom.
Um beijo.

quarta-feira, 03 junho, 2026  
Blogger Mona Lisa disse...

Boa noite, Pity.
No poema " Casa Grande" , a luz acesa torna‑se espelho de quem já viveu o vazio da partida, revelando como a memória permanece mesmo quando a casa fica só.
Sublime!
5*****.
Beijinho e ótima noite com paz, Pity.

quarta-feira, 03 junho, 2026  
Blogger VILMA ORZARI PIVA disse...

Boa noite querida Pity,
Apesar do vazio da Casa Grande fica ali impregnado as estórias vividas num grito calado pelo tempo.
Que bela poesia !!
Grata, amiga, por deixar o seu sensível comentário no meu soneto. Obrigada.
Beijinhos!

quinta-feira, 04 junho, 2026  
Blogger Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, amiga Piedade, gostei muito de A CASA GRANDE,
esse seu excelente poema.
Gostei imensamente dessa leitura.
Votos de um excelente final de semana.
Beijo, amiga.

sexta-feira, 05 junho, 2026  
Blogger Eros de Passagem disse...

Melancólico, este poema discorre metaforicamente sobre o abandono, a memória e a resistência ao tempo. Imagens fortes retratam a decadência física de uma casa em contraste com a permanência misteriosa de uma luz que se recusa a apagar. Dir-se-ia que esta representa a memória, a teimosia do passado ou uma presença fantasmagórica que resiste à ausência humana. O ambiente é estático, e as ruínas do interior da casa contrastam com a força externa do clima (o verão e o inverno). Por fim, a imagem da casa presa à pedra na colina reforça a ideia de um lugar que se nega a desaparecer totalmente, mesmo quando tudo ao redor já desabou.
Um beijo, Piedade!

domingo, 07 junho, 2026  
Blogger Toninho disse...

Olá Pity, gosto destes olhares para as casas antigas onde as historias estão impregnadas em cada movel, em cada canto, desce do teto, forra a mesa, onde pessoas afins se reunem e trocam olhares de carinho e afinidades. Casas que o tempo corrói, mas que ficam marcadas pelas lembranças vivas de tudo que se viveu e construiu.
Belo momento da poesia amiga.
Bjs e paz e feliz semana.

segunda-feira, 08 junho, 2026  

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