terça-feira, 11 de abril de 2017

medos...

omar ortiz
ainda pode fingir que esvoaça sobre a planície,
e dança,  debaixo da chuva,
até ficar completamente encharcada,
sem ninguém ver, ou saber.

manias.

ainda sobra tempo para saborear as cerejas,
e olhar o reflexo do pôr do sol no tanque grande.

nunca  fala do medo nem dos medos,
porque seria falar de algo,
sem limites agendados,
ou sequer anunciados.

convocatórias.

não vai chorar a partida,
partir é ir para  não voltar,
apenas,
imagina voltar, sem partir.

trocadilhos.

nem olha as mãos, olha os pés,
e os pés estão  grandes,
grandes e no entanto tão pequenos
para se fazerem ao caminho.

e sente medo, um medo singular.

©Piedade Araújo Sol 2017-04-11

22 Comentários:

Blogger Pedro Luso disse...

Olá Piedade.
Parabéns pelo belo poema, com temas entrecruzados, como entrecruzados estão as pernas e os braços da imagem.
Uma ótima semana.
Um abraço. Pedro

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso, como sempre! Adorei

Beijos
Bom dia

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Sofia disse...

Poema lindo de palavras doces.

Mesmo adultos podemos sentir medo de algumas coisas.

Gostei muito, Piedade.

Beijinho.

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Os olhares da Gracinha! disse...

Uma encruzilhada poética curiosa que não temeu a criatividade da poetisa!!!bj

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Cadinho RoCo disse...

Delicadamente deliciosa a narrativa entornada em poesia. te convido para conhecer a nossa www.hellowebradio.com ... você.Vem!
cadinho oCo

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Rita Sperchi disse...

Lindo e gostoso de ler,tudo
muito bem colocado, elogios minha
querida parabéns bjussss
Rita

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Marta Vinhais disse...

Os medos.... existem, mas nem sempre se fala...
E, sim, está-se numa encruzilhada... sem que saiba se devemos ficar ou simplesmente partir...
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Rogerio G. V. Pereira disse...



sempre me impuseram idas
sempre me bati por regressos
e sou pouco dado
a medos
(contudo, tenho-os)

terça-feira, 11 abril, 2017  
Blogger Agostinho disse...

À medida que danço à chuva
o poema entranha-se-me na pele,
contudo, descalço-me do medo.
Será mania?
Eu não diria.
Que desafio o tanque grande!
paradoxo de medo, nos reflexos de Sol e o negro profundo do fundo.
Tanta poesia.

A Poeta apalpa o medo.
Não o medo bicho de gatos pretos,
de encruzilhadas à espera da Lua,
de rumores vindos de copas arrepiadas,
de pios de corujas em estertores de azeite.
Apalpa o medo maior que não se diz,
o medo do que se faz e não faz,
o medo da porcelana a fracturar,
o medo do cristal a estilhaçar,
o medo da ausência entre o ir e o voltar,
o medo de perder-se no gume trivial de trocadilhos,
o medo da boca que se seca
e da pele que se enrola de frio.

Fizeste um grande poema,Sol.
Bj.

quarta-feira, 12 abril, 2017  
Blogger Smareis disse...

Tão lindo seu poema Piedade. E esse fundo musical enriqueceu ainda mais. Adorei!
Desejo uma Feliz Páscoa pra você e os teus.
Que tenhamos dias de muita paz, reflexão e alegrias.
Boa semana e uma Feliz Páscoa!
Beijos!

quarta-feira, 12 abril, 2017  
Blogger Jaime Portela disse...

Há medos inconfessáveis...
Excelente poema, gostei imenso.
Tem uma Páscoa Feliz, querida amiga Piedade.
Beijo.

quinta-feira, 13 abril, 2017  
Blogger Maré Viva disse...

Falar de medos não é fácil, tão complexos e infinitos eles são. Mas o teu poema aborda-os com com muita sabedoria. Gostei imenso assim como da imagem.
Votos de Páscoa feliz, sem medo de comer coisas doces...
Beijos.

sexta-feira, 14 abril, 2017  
Blogger Cristina Cebola disse...

Oh...Pi!...adorei este cruzar de caminhos.
Muito criativo e bem estruturado este teu poema.

Beijinho meu e boa Páscoa

sexta-feira, 14 abril, 2017  
Blogger Fernanda Maria disse...

Os medos inerentes a quem tem que percorrer um longo caminho quando os pés pedem para ficar.

Muito belo como belos são todos os teus poemas.

Um beijinho, Páscoa feliz!
O Toque do coração

sexta-feira, 14 abril, 2017  
Blogger Graça Pires disse...

Os medos. Que poema singular e belo! Cheio de ritmos e pausas em fantástico diálogo.
Um beijo e os desejos de uma Páscoa com tudo de bom.

sábado, 15 abril, 2017  
Blogger LuísM Castanheira disse...

medos que os pés atam e as mãos desatam e os voos descartam.
medos de ainda o medo ser habitado numa partida que não chega a ser fadado.
e os sentidos, reflexos em espelho d'água, calados.
"partir é morrer um pouco..." mas ficar é o sonho espreitar.
a simplicidade de viver e estar, onde todos os medos podem só ser o medo de avançar.
um grande poema, Piedade.

obrigado pelos votos e desejo-lhe igual Páscoa Feliz.

um beijo, amiga

sábado, 15 abril, 2017  
Blogger Sofia disse...

Feliz Páscoa para vc também, Piedade.

:)

sábado, 15 abril, 2017  
Blogger Aleatoriamente disse...

Magnífico!!!
Pi,
você é uma poesia tecendo belos poemas.

Beijinho

segunda-feira, 17 abril, 2017  
Blogger O Árabe disse...

Voltar sem partir, Piedade... quantas vezes o medo nos inspira esse desejo! Belo post, boa semana.

segunda-feira, 17 abril, 2017  
Blogger Tais Luso disse...

Olá, Piedade, conhecendo seu blog e gostando muito dos poemas. Muito sensíveis. Conheço você dos amigos blogueiros.
Beijo pra você, uma linda semana.

terça-feira, 18 abril, 2017  
Blogger AC disse...

Ah, Piedade, tanto que haveria a dizer sobre os medos, obstáculo fulcral a qualquer anseio! E, se não houver ousadia para os enfrentar, e vencer, passaremos, eternamente, o tempo na praia a cogitar sobre o que seria se ousássemos.
Gosto sempre do que escreves, tu sabes.

Um beijinho :)

domingo, 23 abril, 2017  
Blogger Ana Freire disse...

Que os medos nunca nos travem... mas é sempre incontornável senti-los... e devemos permitir-nos senti-los... para melhor os compreender... e ousar enfrentá-los...
Um poema muito belo e profundo!...
Notável, como sempre!...
Beijinhos
Ana

quinta-feira, 27 abril, 2017  

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