terça-feira, 15 de novembro de 2011

Morre-se de solidão no meu país

A solidão prolongada
Em forma de sombras
Neutras
Esbatidas
Infiltrada nas paredes
das casas fechadas – com gente dentro
e a noite a fechar o dia mais uma vez
duas vezes – muitas vezes.
.
e morre-se devagar no meu país
.
as árvores no outono estão nuas – esquálidas
no Inverno o frio magoa os ossos e a alma
mas talvez os melros cantem antes da próxima primavera
se o verão chegar todos os dias
no sol de uma tigela de sopa fraterna
.
 morre-se devagar no meu país
.
e depressa tudo se esquece.
.
Nota: faltam dados estatísticos para os  idosos que morrem sós em casa
                    © Piedade Araújo Sol 2011-11-14
                    Foto : Ego.

36 Comentários:

Blogger Nilson Barcelli disse...

Morre-se mesmo muito devagar...
Excelente poema. Parabéns, querida amiga.
Beijos.

segunda-feira, 14 novembro, 2011  
Anonymous Irene Alves disse...

Morre-se de solidão e de fome
no nosso País. É uma grande
tristeza que no final da vida
para muitos reste o abandono
total...
Beijinho
Irene

segunda-feira, 14 novembro, 2011  
Blogger Sempre disse...

Um olhar tão real sobre a morte a sós...a dos nossos idosos...e também a de tanta gente que por vezes acompanhada no dia-a-dia, se sente imensamente só...resta-nos um olhar com olhos de ver e ser visto. Beijinhos ;)

segunda-feira, 14 novembro, 2011  
Blogger Fernando Santos (Chana) disse...

Excelente post....
Cumprimentos

segunda-feira, 14 novembro, 2011  
Blogger MARILENE disse...

Infelizmente, esse é um problema da atualidade. Aqui, já não nos chamamos um país de jovens e a vida, que é muito mais difícil, com mais idade, ainda merece desatenção por parte de família e autoridades.

Bjs.

segunda-feira, 14 novembro, 2011  
Blogger Marta disse...

Não deixei que os meus Pais morressem sozinhos...Estive com eles até ao fim...
Mas sei que há quem os deixe tão sós e a dor na alma é tão profunda....
Belo...
Obrigada pela visita....
Beijos e abraços
Marta

segunda-feira, 14 novembro, 2011  
Blogger AC disse...

Morre-se de solidão no meu país, uma terra de muito e em que os predadores vivem cercados de muros.

Beijo :)

segunda-feira, 14 novembro, 2011  
Blogger Braulio Pereira disse...

o meu coraçâo chorou de tristeza

fico em silencio


um beijo!!

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger BlueShell disse...

Infelizmente assim é...morre-se e ninguém dá por isso...passam as estações do ano...como passam as vidas!
Te abraço.
Bj

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger Hugo de Macedo disse...

...e a pior solidão é daquele que, mesmo no meio da multidão, se sente só.

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger Teresa Durães disse...

Olá! Tenho um convite no meu blog!

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger Canto da Boca disse...

A solidão bate em tantas portas, Pi! Mas a solidão em alguns casos é tao devastadora, que só a morte salva! Doloroso, cruel, mas real.

Enquanto leio aqui esse seu poema-denúncia, uma lágrima furtiva me acode para eu não me engasgar.

Solidarizo-me convosco, minha querida amiga. Além de lhe informar que no meu país, apesar do mito da alegria, a solidão também mata os nossos velhos, jovens... A solidão mata-nos a todos, na matéria e na alma!

Um beijo!

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger mfc disse...

Um poema sentido, desconsolado e muito veradeiro!
Partilhei o sentimento... fui tocado por ele.

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger Lídia Borges disse...

O poema é muito pertinente porque toca um ponto frágil da nossa sociedade que é o isolamento dos idosos, o isolamento daqueles que depois de se darem a um país, a uma família, se veem arrumados como se fossem trapos velhos.

Refletir é preciso!

Bem-haja.

Um beijo

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger manuela baptista disse...

a pior solidão
não é estar só

é saber que os outros não nos batem à porta


poema de uma realidade torta e dolorosa, Piedade

um beijo

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Blogger Luis Eme disse...

belo e triste (e pior de tudo, real).

beijinho Piedade

terça-feira, 15 novembro, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Poema tão doído que estremeço ao ler verso a verso.

Uma triste realidade " morre- se devagar no meu país".

Saudades em ler- te, Piedade.

Beijo.

Maria Valadas

quarta-feira, 16 novembro, 2011  
Blogger BRANCAMAR disse...

Um belíssimo poema e fotografia a lembrar e muito bem uma realiddae cada vez mais triste neste país.
Faltam estruturas de apoio aos idosos e as poucas que existem, são a maior parte por iniciativa de particulares, umas sérias, outras autêntica e fruto de cruel exploração.

Beijinhos para ti.
Branca

quarta-feira, 16 novembro, 2011  
Blogger DE-PROPOSITO disse...

Morre-se devagar no meu país
-----------
Uma consequência de se 'ter nascido'. E contra isso nada podemos.
---------------
Que a felicidade ande por aí.
Manuel

quinta-feira, 17 novembro, 2011  
Blogger Mar Arável disse...

morre-se em silêncio

Bj

quinta-feira, 17 novembro, 2011  
Blogger hfm disse...

Que beleza! poema e imagem.

sexta-feira, 18 novembro, 2011  
Blogger mixtu disse...

os velhos...
quando tiver mais idade não desejo ser idoso...
velho...
e desejo ficar na minha casita a ver a serra,,,, a ver a serra não vou morrer só...

abrazo serrano com aliança

sexta-feira, 18 novembro, 2011  
Blogger SOL da Esteva disse...

Piedade

Infelizmente o teu grito tem plena verdade.
A indiferença como é olhada a morte dos involuntários solitários, leva e transporta-nos a um Mundo que se recusa a VER que os que partem, levam uma Mais Valia de Vida que raramente foi aproveitada.
Morre-se lentamente!...


Beijos

SOL da Esteva
http://acordarsonhando.blogspot.com/

sexta-feira, 18 novembro, 2011  
Blogger Ana Oliveira disse...

Está-nos nas mãos a sopa fraterna que afasta o inverno na alma e impede que se morra e se esqueça...

Obrigada Piedade por re-lembrar.

Beijo

sexta-feira, 18 novembro, 2011  
Blogger Parapeito disse...

....morre-se...de abandono
Brisas doces*

sexta-feira, 18 novembro, 2011  
Blogger heretico disse...

"morre-se devagar no meu País" - dói de tão verdadeiro.

excelente

beijo

sexta-feira, 18 novembro, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Infelizmente, quando mais se precisa de atenção (depois de tanta atenção ter dado) os idosos encontram apenas um certo ar de peso, de deslocamento, de abandono...Geralmente, morrem na solidão, mesmo que esteja junto dos parentes, que os veem como incapacitados para opinar, para argumentar e para aconselhar, ou até para falar... Não há pior solidão em que sentimos falta de nós mesmo e dos outros.
Obrigada pela visita, muito bom seus textos Piedade.
Beijokas

sábado, 19 novembro, 2011  
Blogger . intemporal . disse...

.

.

. a poesia tem . por vezes . este cunho assertivo . esta especificidade própria . que por um lado lamenta na consoante e por outro grita na vogal . onde me vogalizo . por ora .

.

. por.que é tão verdade o que encontro aqui hoje . por.que a solidão dos idosos representa um estádio vegetativo na arena corpórea de uma vida quase inteira . in.corpórea .

.

. que logo se esquece . após a partida . tal como se esqueceu antes ainda . e . ainda assim . há tanto tão adiada .

.

. comovo.me . e não sei dizer mais nada .

.

.

.

. um beijo .

.

.

sábado, 19 novembro, 2011  
Blogger O Árabe disse...

Morre-se, Piedade! A idade faz da solidão um país particular... e infinitamente triste! :( Boa semana, amiga; belo poema!

segunda-feira, 21 novembro, 2011  
Blogger mixtu disse...

mais um comentario para ninguem se sentir só
:)

abrazo serrano

segunda-feira, 21 novembro, 2011  
Blogger tb disse...

Morre-se sim e vive-se também. Muito bonito.
Beijinho

segunda-feira, 21 novembro, 2011  
Blogger Nilson Barcelli disse...

Querida amiga, tem uma óptima semana.
Beijos.

segunda-feira, 21 novembro, 2011  
Blogger Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E de tristeza também...
Obrigado pela visita.

segunda-feira, 21 novembro, 2011  
Blogger IsaMaria disse...

ADOREI, Piedade. Morre-se sim, no nosso país. Nem sei que Primaceras alegres iremos ter futuramente.

jinhos

sexta-feira, 25 novembro, 2011  
Blogger Isa Lisboa disse...

Verdade triste... Nem sempre nos lembramos da solidão como flagelo, não está nos livros de medicina, mas vem devagar e de facto instala-se anónima nas estatísticas...

quinta-feira, 19 janeiro, 2012  
Blogger Rui Diniz disse...

Este belo poema foi lido no project de declamação poética InVersos. Pode encontrar o video em http://InVersos.pt.vu!

domingo, 16 fevereiro, 2014  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial