Setembro
E eu nunca reparei
Não sei em que depositei o meu olhar alheado
Talvez amedrontado
Se
o melhor em que em mim havia
era uma fuga infalível
para além do horizonte que eu desenhava
nos azuis
Eu nunca quis olhar para as açucenas que nasciam
E que exalavam o perfume que me entediava
E me recordava de ti
Setembro foi apenas um mês
Mais um
Que acrescentaria a todos os outros
Dum calendário inexistente
Mas sempre dependurado em mim
Setembro foi a quimioterapia nas dores
Atenuando a ausência de todas as ausências
Renascidas
E o culminar desta chuva que cai em mim
Lembra-me agora a premonição
Do orvalho no teu olhar
E que eu nunca reparei.

21 Comentários:
Horizontes que se desenham...dores que se atenuam...mas não deixam de ser...
Bj
Belíssimo poema a que a repetição vai-nos a nós fazendo reparar. Gostei muito.
E que voltaram a ti... porque nunca de ti saíram!
Querida amiga
voltei uma vez mais, devagarinho que a saúde mo permita.
Gostei das tuas palavras... como sempre :)
Deixo-te um beijo
Vero
Uma dor, uma solidão perdida num tempo que existirá numa memória...
Poema triste, suave, mas muito terno.....
Beijos e abraços
Marta
Assim é, às vezes, a saudade: a falta que nos fazem detalhes em que nunca reparamos. :) Boa semana,belo texto!
bonito poema, de Setembro, esse mês tão bem sintetizado pelo filme de Woddy Allen...
beijinho Piedade
Querida Amiga .
Quero muito homenagear seu blog representando Portugal.
Caso estiver de acordo por favor me enviei pelo meu email um poema seu.
Aguardo você beijos no coração .
Evanir
Por há coisas em que nunca reparamos...
E teríamos feito melhor...
reparar!
Bjsss
Uma empatia Setembro...um mês eternidade...
"Sim eu sei que tudo são recordações
Sim eu sei é triste viver de ilusões"
Mas recordar é viver...
Beijinhos ;)
se em setembro assim
aguado o olhar
que não esqueçamos nunca as açucenas
um beijo, Piedade
Eu agradeço sua visita
A vida sempre une as pessoas no momento certo.
Que eu seja digna da sua amizade.
Nos momentos de aflição dividirmos nossas dores e pensamento
Que seu sonho e os meu sonhos seja abençoado por Deus.
Com nossa amizade e união possamos alcançar as estrelas.
De mãos dadas não terei medo da estrada a ser percorrida.
A minha fé iluminara nossos caminhos ,
E assim juntos seguirmos até onde existir vida.
Uma noite abençoada .
Deus abençoe seu carinho.
Bjs no coração.
Evanir
Setembro será sempre um marco para mim.
Uma poesia tão delicada, cheia de solidão e não menos bela por isso!
Um beijo, Piedade!
Setembro não voltará a ser apenas mais um mês.
Muito belo.
Beijinho grande, Piedade
a tristeza.. do orvalho ao cair da noite...solidâo...dor
mas as açucenas brilham dâo vida
um beijo!!
a perfeição está nos pormenores...
por exemplo, "no orvalho do olhar"
beijo
Mais vale tarde do que nunca reparar em certas coisas...
Belo poema, gostei.
Querida amiga Piedade, tem um bom fim de semana.
Beijos.
No outono damo-nos conta do que nos escapou no verão...
Beijo :)
Mas há de se lembrar. Sempre. Pelas velas que, não apagamos, ou sopramos, mas acendemos. No comemorar de um fim de tarde, a saber, que não foi o medo o grande vilão da história, mas a certeza de que no poema havia tanto de mistério quanto de beleza, e que os dois juntos, unidos, venceriam qualquer dificuldade. Porque há palavras que perfumam. Mesmo quando a saudade insiste em separá-las em sílabas. Setembro não foi apenas um mês. Setembro é e sempre será o mês dos verbos à maresia.
¬
Feliz Aniversário.
[Lembrei-me de um dia, referir-se a setembro, como o mês de seu aniversário.]
Ausências renascidas e calendários inexistentes e dependurados em ti, conforme escreves, sabe-me a ausência de ti essa tua presença na ausência de um olhar com vislumbres de perda e de desejo aposteriori de ficares. Longe do cais e com o cais na proa do teu olhar de bruma.
Gostei.
A melancolia a marcar a tua poesia.
A imagem que encabeça o poema, é mt bela.
Dizem que os aromas é das coisas mais dificeis de se recordar.
Perfumado de setembro.
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