Poço sem Fundo
Há dias em que a realidade se veste de crueldade
por vezes insana, num compasso sem razão
um desnorte que tropeça em si mesmo,
onde a cegueira impera
e até a luz desaprende o caminho.
´Há risos que se confundem com golpes,
gestos que desnudam quem os pratica
e deixam, em quem os recebe,
o peso invisível de um nome que nunca escolheu.
O poço já não tem fundo.
qualquer pedra encontra a alma,
qualquer palavra sabe ferir.
Abrem-se fendas difíceis de sarar,
estilhaçadas como cacos de vidro,
que permanecem sob a pele
mesmo depois de varrido o silêncio.
E há dores que não sangram.
apenas ensinam o coração
a caminhar descalço
sobre os destroços da própria dignidade.
Autor : ©Piedade Araújo Sol 2026-08-03
Imagem : Anna O.
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia

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