O que sabem as gaivotas
Talvez tenha sido uma gaivota
que um dia me disse isto ao ouvido,
quando o mar ainda guardava
o último azul da tarde.
Encontrei um homem.
Não tinha asas.
Mas quando abriu as mãos,
o mundo pareceu caber nelas.
Não o vi subir.
Vi-o permanecer de pé
quando o vento
mandava que baixasse a cabeça.
Vi-o caminhar
sem medo da distância,
sem mapa, sem perguntar
onde começava o céu.
Há perguntas
que nos prendem à terra
antes de encontrarmos
a resposta certa.
Foi então que compreendi:
voar não é fugir.
É permanecer
quando o vento nos empurra.
É confiar no caminho
mesmo quando o horizonte
ainda não se deixa alcançar.
É abrir as mãos
sem saber o que nelas pousará.
E guardar dentro de nós
aquilo que amamos
sem deixar de abrir espaço
para o mundo.
Por isso, se um dia
me virem caminhando junto ao mar,
não pensem que estou perdido.
Talvez esteja apenas à espera
de que alguma gaivota reconheça,
nas minhas mãos vazias,
o desenho de duas asas.
Talvez então eu compreenda
que o céu nunca esteve
tão longe como pensei.
E, quando o vento chamar,
sem medo de não saber para onde,
hei de me juntar ao bando.
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia
2 Comentários:
Voar é interagir com o Mundo...ser livre e permanecer ligada às correntes.
Lindo...
Beijos e abraços
Marta
Lindo e caminhar junto ao mar vendo as gaivotas, além da vontade de voar, dá vontade de saber o que elas conversam juntas... Adorei! beijos, feliz setembro! chica
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