A âncora das palavras
Não digas as palavras que ainda não escrevi,
não antecipes o tempo antes do seu fim,
tenta reinventar uma tela,
na tua imaginação,
e desenha-lhe o primeiro esboço,
com todas as cores que quiseres.
Sabes que o azul terá de ser predominante;
só assim fará sentido para nós.
As palavras ficam a descansar,
para que, mais tarde, sem dia marcado,
em vez de as escrever,
eu as possa dizer, com a convicção
de que me escutas, sem deixar pairar,
as incertezas que podem acontecer.
Deixa-me o teu olhar como âncora,
onde sempre me agarrei, para nunca me perder.
Autor : ©Piedade Araújo Sol 2026-10-05
Imagem : Sarah Ann Loreth
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia

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