Quando o amor permanece
Há vida para além da partida,
a ligeireza do pensamento
contraria as curvas que subsistem,
quando fingimos que não existem,
mas adivinhamos o seu fim
e o presente será apenas passado.
Há janelas que se abrem
quando a chave da porta se perdeu,
em deslizes inocentes,
sem justificações nem culpas,
apenas um manto seco estendido
sobre um chão que o tempo apagou.
Há, na calada da tarde,
quando a noite desaba,
um leve sorriso a tentar sarar
cortes que já não o são,
mas apenas cicatrizes indeléveis
que sobrevivem na alma.
Há olhares que se cruzam,
há mãos que ainda confiam,
há palavras transparentes,
quase ecos, quase sons,
num abraço que não concedemos,
mas num beijo que não pereceu.
Autor : ©Piedade Araújo Sol
Imagem : Erik Johansson
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia

0 Comentários:
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial