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terça-feira, 9 de junho de 2026

Barcos de Papel

A vida dobra-se em barcos de papel
entre dedos que ainda lembram
a infância
na casa junto ao mar.

Colamos margens frágeis
com a paciência breve
de quem acredita
e lançamo-los
à água incerta dos dias.

Alguns seguem altivos
na crista da espuma,
outros cedem
ao primeiro embate

E nunca sabemos
da sua fragilidade:
se foi a corrente
ou o excesso de vento

Ficamos assim —
desfeitos,
como os barcos
que um dia julgámos eternos

©Piedade Araújo Sol 2026-06-08
Imagem : Ashraful Arefin

2 comentários:

  1. Amiga Puty, boa noite de paz!
    Que delicado poema cheio de verdade!
    Ficamos sim, desfeitos pelo efeito tempo que nos desgasta... sutilmente.
    Adorei o final áureo.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

    ResponderEliminar
  2. Ainda éramos ingénuos e puros nesse início de vida.
    Um abraço.

    ResponderEliminar

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