A vida dobra-se em barcos de papel
entre dedos que ainda lembram
a infância
na casa junto ao mar.
Colamos margens frágeis
com a paciência breve
de quem acredita
e lançamo-los
à água incerta dos dias.
Alguns seguem altivos
na crista da espuma,
outros cedem
ao primeiro embate
E nunca sabemos
da sua fragilidade:
se foi a corrente
ou o excesso de vento
Ficamos assim —
desfeitos,
como os barcos
que um dia julgámos eternos
©Piedade Araújo Sol 2026-06-08
Imagem : Ashraful Arefin
Imagem : Ashraful Arefin

Amiga Puty, boa noite de paz!
ResponderEliminarQue delicado poema cheio de verdade!
Ficamos sim, desfeitos pelo efeito tempo que nos desgasta... sutilmente.
Adorei o final áureo.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Ainda éramos ingénuos e puros nesse início de vida.
ResponderEliminarUm abraço.