Enigmas
Há coisas
que não se deixam nomear.
Atravessam o espaço,
como se não lhes pertencesse,
sem peso, sem permanência.
Não são ausência, nem inexistência.
Mas também não subsistem.
Ficam apenas sinais mínimos:
um frio deslocado,
uma alteração quase imperceptível
na ordem das coisas.
Por vezes, irrompe um brilho súbito
breve demais, para ser memória.
Depois, dissipa-se,
como se nunca tivesse estado.
Há movimentos
que não consentem origem
nem destino.
E, ainda assim,
insistem em passar.
Não se prende
o que não reconhece chão.
©Piedade Araújo Sol 2026-04-27
Imagem :Katerina Plotnikova
Imagem :Katerina Plotnikova
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia

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