terça-feira, 28 de abril de 2026

Enigmas

 

Há coisas
que não se deixam nomear.

Atravessam o espaço,
como se não lhes pertencesse,
sem peso, sem permanência.

Não são ausência, nem inexistência.
Mas também não subsistem.

Ficam apenas sinais mínimos:
um frio deslocado,
uma alteração quase imperceptível
na ordem das coisas.

Por vezes, irrompe um brilho súbito
breve demais, para ser memória.

Depois, dissipa-se,
como se nunca tivesse estado.
Há movimentos
que não consentem origem
nem destino.

E, ainda assim,
insistem em passar.
Não se prende
o que não reconhece chão.

©Piedade Araújo Sol 2026-04-27
Imagem :Katerina Plotnikova

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