Entre o Abismo e a Luz
Esqueci as vozes
que me acordavam por dentro,
abrindo as janelas do dia.
Sempre, sem perguntar
se era de chuva
ou incêndio de sol.
Agora tropeço em abismos.
A solidão tem o peso
de um quarto cerrado.
Desabrigo-me das certezas
e visto temores
que não sei nomear.
Procuro refúgio na miragem
dessa urgência prematura
que promete proteger-me do tombo.
Arranco a pele da descrença
como quem levanta um escudo
feito de ar.
Deixo este poema à deriva
nu, vulnerável,
a pedir mãos invisíveis.
E, quando tudo parece suspenso,
seguro um fio mínimo de luz
antes que a noite o apague.
©Piedade Araújo Sol 2026-03-
Imagem : Rosie Hardy
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia


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