Enquanto atravessas
Não escrevo por ti,
seguro apenas a margem
enquanto atravessas o rio.
O rio transborda,
a corrente é incerta
e não revela a foz.
Tanta água a correr
entre desacertos no caminhar,
e ainda assim, avanças.
Não te empresto os meus passos,
nem te desenho o destino.
Ofereço-te presença,
porque a amizade
não é ponte que substitui a travessia,
é margem que confia.
E, quando alcançares
a outra margem,
saberás:
foi o teu próprio chão
que te sustentou.
© Piedade Araújo Sol 2026-03-
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia


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