terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Meu País

Vi o meu país amado
submerso.

Ruas sem nome,
casas abertas à água,
memórias a boiar
como destroços.

Os rios, cheios demais,
alargaram o corpo
e levaram consigo,a história
que não sabia nadar.

Nos olhos, o choque.
No peito ressentido,
um cansaço antigo
que não encontra abrigo.

Há um pânico mudo
a crescer nas margens,
uma dor que não grita
mas insiste e não termina.

E eu, que não sei rezar,
procuro fé, como quem procura
um lugar seco
no meio do dilúvio.

Ficam-me os olhos a arder,
as lágrimas livres ,porque há tragédias
que não pedem versos perfeitos
apenas, que não desviemos o olhar.

Autor  © Piedade Araújo Sol 2026-02-07

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