Meu País
Vi o meu país amado
submerso.
Ruas sem nome,
casas abertas à água,
memórias a boiar
como destroços.
Os rios, cheios demais,
alargaram o corpo
e levaram consigo,a história
que não sabia nadar.
Nos olhos, o choque.
No peito ressentido,
um cansaço antigo
que não encontra abrigo.
Há um pânico mudo
a crescer nas margens,
uma dor que não grita
mas insiste e não termina.
E eu, que não sei rezar,
procuro fé, como quem procura
um lugar seco
no meio do dilúvio.
Ficam-me os olhos a arder,
as lágrimas livres ,porque há tragédias
que não pedem versos perfeitos
apenas, que não desviemos o olhar.
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia


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