Tento erguer, dentro de mim,
uma paleta de cores suspensas,
tão leves que parecem asas,
para pintar com os dedos
um traço minúsculo
na tela imensa do mundo
mas a tinta evapora-se antes do toque.
Entre pinceladas falhadas e latências,
levantam-se ventos que rasgam a paleta,
espalhando pigmentos pelo ar.
O meu voo, manchado de hesitações,
perde altitude;
e a firmeza que me resta
solidifica em impotência,
num grão de areia perdido no céu.
Será este o combate de quem tenta colorir o vento?
Um duelo sem céu nem chão,
onde ninguém vence?
Ainda assim, recolho os estilhaços das tintas
e insisto:
há sempre uma cor que resiste ao apagamento.
Há sempre um sonho disposto a levantar voo.
Autor ©Piedade Araújo Sol
Imagem : Laura Makabresku

Porque devemos continuar a sonhar e a voar até ao topo do Mundo..
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
"Há sempre uma cor que resiste ao apagamento/Há sempre um sonho disposto a levantar voo"
ResponderEliminare eu que não paro de sentir-me comovida, não encontro palavras que minimamente honrem
esta "Paleta de Cores em Voo"
Um beijo!
Tão bela esta paleta de cores, Piedade.
ResponderEliminarTão belo este enredo, que me basta estar sossegado, ficar no meu canto e deixar expandir-se o poema ouvindo uma sonata para violino.
Beijinhos, Piedade!
Profundo poema. Te mando un beso.
ResponderEliminarHá de encontrar a cor ideal, a indelevel, que possa traduzir a leveza do ser. A cor sobre o rastro da estrela cadente a espalhar-se nas noites .
ResponderEliminarBela poesia na sua mais bela arte amiga.
Bjs e paz.
Bom dia Pity,
ResponderEliminarUm poema muito belo!
Uma paleta de cores a envolver a vida, em voos hesitantes, num combate em que a cor e o sonho são os vencedores.
Gostei muito da construção deste sublime e inspirado poema.
Um beijinho, Pity, e continuação de boa semana.
Emília
Gosto deste, Piedade Sol. Lido, sonhei-o. Assim:
ResponderEliminarUm grão de areia, talvez,
que preserva o pólen da criação,
sem limite de cores
Um grão a poeta, um grão eu,
a navegar perdido ao sabor do vento
entre a terra e o céu
que guarda o verde incólume
à espera da luz propícia ao milagre
da renovação eterna da vida
Em todas as cores
Saúde e bj amigo.
Olá, amiga Piedade, é uma grande satisfação visitar esse espaço poético,
ResponderEliminaronde encontro poemas de grande beleza
com ótimas imagens poéticas, como este que leio nesta postagem, bravo!
Beijo e uma ótima semana, amiga Piedade.
Quem quer colorir o vento, terá por certo a devolução de uma brisa azul, capaz de alimentar os seus sonhos mais um bocadinho. Deixo um abraço.
ResponderEliminarOlá querida Piedade. O poema está maravilhoso e adorei o final. Há sempre uma cor que resiste, sempre um sonho que insiste em levantar voo. Lindooo, abraços 🤗
ResponderEliminarOlá, Piedade, belíssimo poema, e que final, hein amiga? Grande Final!
ResponderEliminar"... há sempre uma cor que resiste ao apagamento.
Há sempre um sonho disposto a levantar voo."
Maravilha!
Um feliz fim de semana, querida amiga, muita paz por aí, o mundo está em crise violenta.
É um poema muito belo e sensível e a gravura tão adequada quanto original!
ResponderEliminarUm beijo
Un poema preciós i ple de sensibilitat. M’ha encantat la metàfora de la creació com una pintura que s'evapora, però sobretot la força del final: la idea que sempre hi ha un color que resisteix i un somni disposat a volar. Gràcies per compartir aquesta reflexió tan visual!, Piedade!
ResponderEliminarUna abraçada.
E os sonhos precisam de cor...
ResponderEliminarEste poema é soberbo, adorei cada verso do princípio ao fim.
Boa semana.
Um beijo.