Paleta de cores em voo
Tento erguer, dentro de mim,
uma paleta de cores suspensas,
tão leves que parecem asas,
para pintar com os dedos
um traço minúsculo
na tela imensa do mundo
mas a tinta evapora-se antes do toque.
Entre pinceladas falhadas e latências,
levantam-se ventos que rasgam a paleta,
espalhando pigmentos pelo ar.
O meu voo, manchado de hesitações,
perde altitude;
e a firmeza que me resta
solidifica em impotência,
num grão de areia perdido no céu.
Será este o combate de quem tenta colorir o vento?
Um duelo sem céu nem chão,
onde ninguém vence?
Ainda assim, recolho os estilhaços das tintas
e insisto:
há sempre uma cor que resiste ao apagamento.
Há sempre um sonho disposto a levantar voo.
Autor ©Piedade Araújo Sol
Imagem : Laura Makabresku
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia


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