terça-feira, 19 de maio de 2020

Palcos


O palco está esvaziado,
onde todos os actores que somos nós
estão sem guião, apenas cenas e contracenas,
que não são ensaiadas nem decoradas,
apenas embutidas no momento.

E ninguém quer ver as próximas cenas,
onde até os beijos estão confinados,
suspensos no tempo,
alguns desgarrados para todo o sempre,
nem sabemos.

Empurro, cuidadosamente os sonhos,
e o tempo (des)temperado,
arrumo as cicatrizes ,como se as pudesse apagar,
e conjecturo , e até sinto o choro calado,
nas esquinas  da cidade e do mundo,
até no interior das casas.

Dos abraços não dados neste tempo,
e dos que ficaram por dar,
e não mais se irão renovar,
tempo demente, ou simplesmente na mente
do destempo (in)temporal.

O palco está definhado,
a vida se evapora, pungente
e todo o mundo sonha,
 sonhos já sonhados,
que se guardam na memória de outros tempos.

©Piedade Araújo Sol 2020-05-17
Imagem : Magdalena Russocka

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24 Comentários:

Blogger Cidália Ferreira disse...

Boa noite!
Aplausos para este poema sublime! AMEI! 🍀
-
Sentem-se famintos, pelo tempo que se alegra

Beijo, e uma excelente semana.

segunda-feira, 18 maio, 2020  
Blogger Vall Nunnes disse...

Sol,quanto sentimento...
Os improvisos do dia a dia que estão ver passando despercebido.
Momentos guardados na memória,até os não vividos.
Sublimes versos! Continue se cuidando e escrevendo assim!
Xeru

segunda-feira, 18 maio, 2020  
Blogger Rogério G.V. Pereira disse...

Actores sem palco
Actores sem pão
Ah, se houvessem
Lugares sentados
ocupados
no teatro

Talvez um actor voluntário
mesmo sem salário
viesse dizer teu poema

e eu estaria
na primeira fila

segunda-feira, 18 maio, 2020  
Blogger Alexandra disse...

Imagem e texto unos.

Palavras maravilhosas que nos descrevem um tempo... intemporal.

Parabéns!

Boa noite :)

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger Marta Vinhais disse...

Mas não podemos deixar morrer os sonhos...
Devemos escrever um novo guião e dar luz ao palco sombrio...
Pode não haver beijos e abraços, mas que haja vontade de vencer esses obstáculos e continuar a viver...
Lindo.
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger Teresa Durães disse...

Penso que o problema maior é não saberem viver com a sua alma. Para mim nada mudou exteto a estúpida máscara nos super

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger José Carlos Sant Anna disse...

De início parecia que este drama não iria nos afetar, parecia um drama trivial vivido do outro lado do mundo. Mas aos poucos a história nos contagiou e temos que nos prevenir quando já perdemos abraços e beijos que ficaram para um depois que não se sabe... além dos entes queridos, para alguns, que se foram...
Mesmo tratando deste drama, é um belo poema!
Beijinhos,

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger " R y k @ r d o " disse...

Um poema que retrata muito bem a situação actual no mundo. Será que vamos voltar aos palcos de antigamente? Sinceramente... duvido.
Imagem lindíssima muito bem ilustrada - ou vice-versa - pela sedução do poema.
.
Tenha um dia abençoado
Cumprimentos poéticos

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger Maré Viva disse...

Um poema escrito com a alma, um grito que ecoa em todos nós, porque as nossas vidas se partiram e nada mais será como dantes, ou devemos agarrar-nos à esperança, que dizem é a última a morrer...
Um abraço.

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger Manuel Luis disse...

Ficamos com os abraços que se podem dar e a divida de Um beijo.
Saúde.
Bjs

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger Roselia Bezerra disse...

Boa noite de paz e esperança, querida amiga Piedade!
A poesia nos dá uma vontade de viver e tira de nós um fôlego de vida que pensamos nem ter mais devido a tudo isso.
Linda a sua aqui postada!
Tenha dias abençoados!
Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

terça-feira, 19 maio, 2020  
Blogger Canto da Boca disse...

Toda a cena foi desconfigurada... Os palcos no formato conhecido sem seus autores. Mudou tudo. Tudo mudou. O ensaio e o enredo já não têm mais razão de ser..

Está tudo esvaziado, as cenas são resguardadas como um sinônimo de segurança.

Poema forte, com cenas pungentes, retratam bem esse novo tempo, que há de passar.

Beijinhos, Piedade, cuidem-se.

:)

quarta-feira, 20 maio, 2020  
Blogger " R y k @ r d o " disse...

Passando a fim de deixar saudações poéticas
Proteja-se

quarta-feira, 20 maio, 2020  
Blogger Majo Dutra disse...

Querida poetisa.
É, sim, imprescindível continuar a sonhar com palcos repletos,
vibrantes de vida e alegria...
Um poema belo, expressivo e pertinente que toca diretamente a
sensibilidade de todos.
Tudo pelo melhor. Pi Sol.
Beijinhos
~~~~~

quarta-feira, 20 maio, 2020  
Blogger Jaime Portela disse...

Melhores dias virão.
Ou ainda piores, com a economia a chover no molhado, ou seja, a acrescentar crise em cima da crise...
O seu poema é magnífico, gostei imenso.
Piedade, continuação de boa semana.
Beijo.

quinta-feira, 21 maio, 2020  
Blogger Elvira Carvalho disse...

Um belíssimo poema que retrata bem a vida atual.
Abraço e saúde

quinta-feira, 21 maio, 2020  
Blogger manuela barroso disse...

Um retrato perfeito dos contornos que atrofiam os pensamentos e estados de alma!
Desconfiamos de tudo e todos . De nós mesmos , de tudo o que nos rodeia.
Vai passar . Mas as cicatrizes vão demorar .
Uma introspecção numa poesia maravilhosa, querida amiga
Beijinho

sexta-feira, 22 maio, 2020  
Blogger AC disse...

Tempos danados, em que tudo iremos hipotecar
por um vislumbre do lento despertar.
Excelente o poema, Piedade.

Abraço :)

sábado, 23 maio, 2020  
Blogger Graça Pires disse...

A vida é realmente este palco que não procurámos mas que nos calhou a todos. Representamos agora um papel sem beijos nem abraços, é verdade. Mas temos poetas que não deixam esquecer que isto é um "destempo" e que um destes dias seremos todos livres de novo… Lindíssimo, o seu poema, Piedade!
Uma boa semana com muita saúde.
Um beijo.

segunda-feira, 25 maio, 2020  
Blogger Mar Arável disse...

Venceremos
porque mesmo no silêncio
continuamos a falar por gestos

Bj

segunda-feira, 25 maio, 2020  
Blogger Agostinho disse...

Olá, Piedade
Gostei do teu poema.
Li no dia e deixei ficar a repousar
a maturar para voltar e melhor apreciar. Tocas sem hesitação as amarguras correntes.
Embutidos como estacas plantados são cenas estéreis porque os gestos foram confiscados.
A convocação de figurantes, o mudar de acto, são tão só burocracia inútil.
Encher planos e palcos não traz o tempo de volta.
Os sentimentos não se acumulam em contas de banco.
Nem os beijos são investimento que se faça em bolsa.
Não adianta ignorar tapar as chagas abertas na carne viva com linho do minho ou tnt chinês.

Beijo, amigo, Sol.

segunda-feira, 25 maio, 2020  
Blogger Jaime Portela disse...

Gostei imenso de reler este brilhante poema.
Piedade, tenha uma boa semana.
Beijo.

segunda-feira, 25 maio, 2020  
Blogger Toninho disse...

E sonharemos até o terceiro ato e o mecânico acenda a luz sobre o palco encantado com a nova peça onde o sonhar aliviará nossos medos e angústias.
Bravo poetisa, vir aqui é nadar em águas mágicas.
Beijo amiga

terça-feira, 26 maio, 2020  
Blogger Diná Fernandes de Oliveira Souza Souza2 disse...

Bom dia querida Piedade,

Atores mudos, palcos desertos, sonhos inacabados, último ato, fecha a cortina. Um poema belo e comovente.

Vim tb agradecer sua presença lá na minha festa ontem, minha página brilhou.

Bjs e bom dia!

quinta-feira, 28 maio, 2020  

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