terça-feira, 18 de julho de 2017

estilhaços ou talvez não,

Vincent-Bourilhon

em que as palavras hesitam, e ficam
numa espera anunciada, como  almas desordenadas
em completo desassossego, sem rumo real
simplesmente em espera,

não as escrevo, mas por vezes pinto-as num olhar
perdido
Incógnito e melancólico
que ninguém vê,

esfumado, caído sem tréguas
em labirintos do tempo
ou dos trilhos trocados
cobertos de pó e reflexos
ou  apenas sombras, sim, talvez,

cenários em construção
num palco devoluto
apenas fingindo existir
sem actores , nem plateia,

estilhaços ou talvez não…


©Piedade Araújo Sol 2017-07-17

17 Comentários:

Blogger Cidália Ferreira disse...

Instigante, maravilhoso!

Beijinhos
Bom dia

terça-feira, 18 julho, 2017  
Blogger Franziska disse...

La imagen, la música y las palabras de los versos creo yo que nos llevan a un ambiente de tristeza y melancolía, a un fado hecho versos. Bello y triste al mismo tiempo. Ha sido un placer volver a pasar por este blog. Afectuosamente. Franziska

terça-feira, 18 julho, 2017  
Blogger Pedro Luso disse...

Olá, Piedade!
Gosto dos teus poemas, com este não foi diferente. Muito bom. Parabéns.
Um abraço.
Pedro

terça-feira, 18 julho, 2017  
Blogger Marta Vinhais disse...

A vida tal como acontece... Num olhar....
numa memória....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 18 julho, 2017  
Blogger José Carlos Sant Anna disse...

"Esfumado, caído sem tréguas / labirintos do tempo ou dos trilhos trocados" é face dessa cambiante realidade que o poeta está a observar, demarcando o o espaço da sua poética. Aqui aprendemos que a poesia demanda tempo.
Beijinhos,

terça-feira, 18 julho, 2017  
Blogger Victor Barão disse...

Dividido entre interpretar o poema, segundo a minha perspectiva, ou simplesmente deixar-me embalar na sua melancólica beleza, mais ainda sob o celestial som que o acompanha, no presente caso e respectivo momento prefiro de todo esta última hipótese!

Um muito grato abraço

Obrigado

quarta-feira, 19 julho, 2017  
Blogger Graça Pires disse...

É de uma delicada beleza este poema, Piedade.
Palavras em espera. A aguardar que um poema as convoque para que deixem de estar presas à nostalgia.
Uma boa semana.
Beijos.

quarta-feira, 19 julho, 2017  
Blogger Manuel Luis disse...

Palavras pintadas no teu olhar.
Bjs

quinta-feira, 20 julho, 2017  
Blogger Smareis disse...

Tão belo! Teus escritos e recheado de beleza.
A imagem é bem curiosa.
Continuação de boa semana!
Abraço!
***Escrevinhados da Vida***

quinta-feira, 20 julho, 2017  
Blogger Ana Freire disse...

Acho que os poemas e as demais obras escritas, em que a criatividade seja um elemento chave... são mesmo as únicas construções que eu conheço... que a partir de pedacinhos de ideias fragmentadas... vão ganhando corpo e alma por inteiro... como muito bem a Piedade diz... são mesmo cenários em construção!
Um belo poema, Piedade... que aborda a construção de um poema... e a forma como é apercebida a sua estrutura... aos olhos do poeta...
Beijinhos! Continuação de uma boa semana!
Ana

quinta-feira, 20 julho, 2017  
Blogger A Casa Madeira disse...

Prefiro ficar no "talvez não".
Imagem instigante.
Bom final de semana que se aproxima.
Abçs.

quinta-feira, 20 julho, 2017  
Blogger Jaime Portela disse...

É a sensibilidade do poeta que fala sempre mais alto, mesmo sem palavras.
O poema é excelente, gostei imenso.
Piedade, um bom fim de semana.
Beijo.

sexta-feira, 21 julho, 2017  
Blogger (CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Palavras, dependendo do teor, deixa estilhaços mesmo. Parabéns, Piedade.

sábado, 22 julho, 2017  
Blogger Diversos Estilos Poéticos disse...

Oh, Piedade, belas imagens poéticas nestes versos incitantes. Excelente versar!
Abraço!

sábado, 22 julho, 2017  
Blogger AC disse...

Todos vertemos estilhaços, nem todos temos a capacidade de lhes dar vida.
Muito bom, Piedade!

Um beijinho :)

domingo, 23 julho, 2017  
Blogger Telma disse...

Adoravel :)

https://trapeziovermelho.blogspot.pt

domingo, 23 julho, 2017  
Blogger O Árabe disse...

Verdade, Piedade! Tal é a sensibilidade com que escreves, que por vezes pareces "pintar" as palavras, em versos de rara beleza. Lindo post, boa semana!

segunda-feira, 24 julho, 2017  

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