terça-feira, 5 de abril de 2016

Devagar para que o medo

Josephine Cardin

Devagar
e as mãos mergulham receosas
e inexperientes
vagarosamente
tremendo.

Devagar para que o medo
sucumba ao toque
e o nó entalado na garganta
seja apenas uma mera impressão
na noite
que se abateu sobre a claridade do dia.

Réstias de amor
aos bocados
que se misturam
com o odor das magnólias
defronte da janela.

E no silêncio
guardamos a voz dentro da boca
para que o medo seja apenas
um  subterfúgio
que ousamos aniquilar.

E o abismo em que mergulhamos
enlouquecido pelas cores do arco iris
e o adejar dos cisnes
no parque
é profundo e estranhamente leve.

Já parou de chover faz tanto tempo
e já é dia
e nem sabíamos.

©Piedade Araújo Sol  2016-04-04

21 Comentários:

Blogger manuela barroso disse...

E é devagar que se mergulha no mar deste silêncio para lhe ouvirmos a voz.
Belo como sempre
Beijinho,P.

terça-feira, 05 abril, 2016  
Blogger Luis Eme disse...

Somos uns distraídos...

abraço Piedade

terça-feira, 05 abril, 2016  
Blogger Jorge disse...

Este poema está fabuloso...

terça-feira, 05 abril, 2016  
Blogger Agostinho disse...


Sinto-te à tranparência
na alma nua de poeta
A neblina condensada
nas janelas que pressinto
anunciada na gaguez de luz
e entretanto a polpa
dos dedos a tactear silabas
que brilham com fulgor
espantoso...

Brilhante, como tu, Sol.

terça-feira, 05 abril, 2016  
Blogger Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso O teu poema! Parabéns

Beijos e uma feliz terça-feira
Coisas de Uma Vida 172

terça-feira, 05 abril, 2016  
Blogger Marta Vinhais disse...

Devagar para que fique gravado na luz, na memória.... Para que se esqueça o medo...e se escute a voz do momento....
Lindo....
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 05 abril, 2016  
Blogger Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

Saboreio o teu poema... sem medo. Os medos assustam pela palavra. O seu verdadeiro significado, é um alerta da Alma.
Poema muito profundo.

Beijo
SOL

terça-feira, 05 abril, 2016  
Blogger rosa-branca disse...

Pi, como eu entendo bem este poema. No silêncio mergulhamos no abismo de nós mesmos. Amei este poema rasgado p'lo medo. Beijos com carinho

quarta-feira, 06 abril, 2016  
Blogger POESIAS SENSUAIS E CONTOS disse...

lindos versos a sua poesia. parabéns

quarta-feira, 06 abril, 2016  
Blogger Henrique Caldeira dos Santos disse...

um acto de amor, por amor, onde todo o resto é um complemento para o amor.

quarta-feira, 06 abril, 2016  
Blogger Mário Margaride disse...

Maravilhoso poema, amiga Piedade!

Por vezes o medo...é o maior inimigo da nossa felicidade, do nosso caminho...

Adorei!

Beijinhos e boa semana.

quarta-feira, 06 abril, 2016  
Blogger heretico disse...

e no entanto os abismos da noite venceram o medo! felizmente...

beijo

quarta-feira, 06 abril, 2016  
Blogger Majo disse...

~~~
~ Uma noite ameníssima, deliciosamente perfumada,

~~~~~~~~~ perfeita e muito especial

em intensas emoções, receios e novidades nupciais...

~~ Nela, construíram-se memórias inolvidáveis.

~~~
~ Um poema muito belo e delicadamente sensual.

~~~~~~ Beijinho, querida Poeta amiga. ~~~~~~
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

quarta-feira, 06 abril, 2016  
Blogger Mar Arável disse...

Há sempre um mar contra os medos

Bj

quinta-feira, 07 abril, 2016  
Blogger MARILENE disse...

O medo que assola dissipa-se nos movimentos e no silêncio e até os abismos proporcionam voos. Muito belo, Piedade!

sexta-feira, 08 abril, 2016  
Blogger Ana Freire disse...

Um encontro de almas... que dissipa quaisquer medos... no vasto abismo do amor... em que ansiamos por mergulhar...
Maravilhoso, Piedade!
Mais um dos seus fabulosos trabalhos... para ler e reler...
Beijinhos!
Ana

sábado, 09 abril, 2016  
Blogger Jaime Portela disse...

O tempo passa depressa e sem medos em certas circunstâncias.
Excelente poema, gostei imenso.
Bom resto de domingo e boa semana, querida amiga Piedade.
Beijo.

domingo, 10 abril, 2016  
Blogger alp disse...

Estupendo poema... Un abrazo desde Murcia.. Espero que estés bien....

domingo, 10 abril, 2016  
Blogger AC disse...

Há, nesse perder-se/encontrar-se, uma brisa única...
Lindo, Piedade!

domingo, 10 abril, 2016  
Blogger Canto da Boca disse...

E no silêncio se percebe muito do que sequer se ousa falar.

Lindo, Pi, como sempre!

Beijo!

segunda-feira, 11 abril, 2016  
Blogger Graça Pires disse...

Um poema maravilhoso, com uma sensualidade contida. Palavras que nos fazem intuir a vida como um presságio de amor... Gostei imenso, Piedade.
Um beijo.

segunda-feira, 11 abril, 2016  

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