Vi o meu país amado
submerso.
Ruas sem nome,
casas abertas à água,
memórias a boiar
como destroços.
Os rios, cheios demais,
alargaram o corpo
e levaram consigo,a história
que não sabia nadar.
Nos olhos, o choque.
No peito ressentido,
um cansaço antigo
que não encontra abrigo.
Há um pânico mudo
a crescer nas margens,
uma dor que não grita
mas insiste e não termina.
E eu, que não sei rezar,
procuro fé, como quem procura
um lugar seco
no meio do dilúvio.
Ficam-me os olhos a arder,
as lágrimas livres ,porque há tragédias
que não pedem versos perfeitos
apenas, que não desviemos o olhar.
Autor © Piedade Araújo Sol 2026-02-07

Um poema sentido da fúria da natureza manifesta com suas aguas, que tudo lava, leva e arrebata os grãos do chão. Tempo de repensar nossas atitudes sobre os desmandos com a natureza. Tempo de exercicitar a solidariedade com todos aqueles que tudo perderam. A cidade submersa e o povo imerso na tristeza. As aguas que devoram tudo num piscar de olhos. Há tristeza na poesia, há aconchego nos acolhimentos.
ResponderEliminarUma construção dorida amiga.
Que a semana seja de reconstrução com amor e dedicação.
Viva Portugal sob chuva demonstrando compromisso com o social numa iconica votação.
Bjs e paz amiga.
O seu poema é um documento que fica a assinalar esta tragédia que atingiu os nossos semelhantes. Louvo a sua homenagem.
ResponderEliminarUm abraço.
A desordem em que a chuva mergulha o tempo e as pessoas...
ResponderEliminarBrilhante...
Beijos e abraços
Marta
Lindo poema. Te mando un beso.
ResponderEliminarUm poema solidário é o que podemos por vezes dar. Um abraço
ResponderEliminarBoa tarde Pity,
ResponderEliminarUm poema magnífico, pleno de sensibilidade, pelas tempestades e cheias que têm assolado o nosso País, que muito me comoveu.
Não podemos ficar indiferentes perante tantas tragédias.
Fico sem palavras, porque tem sido tudo muito, muito triste:(.
Um beijinho e tenhamos esperança em dias melhores.
Emília
Boa tarde Pity.
ResponderEliminarO teu belíssimo e melancólico poema condensa a dor coletiva perante uma tragédia natural:
país submerso, memórias arrastadas pelas águas, sentimentos em choque, impotência, e a procura da fé no meio da desolação.
Beijinho e que nunca percamos a fé e Esperança. 😘
Boa tarde, Passei para dar uma olhada e gostei muito do que vi e li. Paz e bem
ResponderEliminarOlá querida Piedade! O poema está brilhante e achei muito criativa aquela parte de procurar um lugar seco no meio do dilúvio… como sempre...de parabéns! Abraços 🤗
ResponderEliminarUm poema descritivo e intenso!
ResponderEliminarMaravilhosa é a palavra do poeta e que flutua sobre a tragédia.
Um beijinho
Várias tragédias inimagináveis com vento e chuva colossais em várias regiões do país.
ResponderEliminarExcelente poema, gostei imenso.
Boa semana.
Um beijo.