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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Meu País

Vi o meu país amado
submerso.

Ruas sem nome,
casas abertas à água,
memórias a boiar
como destroços.

Os rios, cheios demais,
alargaram o corpo
e levaram consigo,a história
que não sabia nadar.

Nos olhos, o choque.
No peito ressentido,
um cansaço antigo
que não encontra abrigo.

Há um pânico mudo
a crescer nas margens,
uma dor que não grita
mas insiste e não termina.

E eu, que não sei rezar,
procuro fé, como quem procura
um lugar seco
no meio do dilúvio.

Ficam-me os olhos a arder,
as lágrimas livres ,porque há tragédias
que não pedem versos perfeitos
apenas, que não desviemos o olhar.

Autor  © Piedade Araújo Sol 2026-02-07

11 comentários:

  1. Um poema sentido da fúria da natureza manifesta com suas aguas, que tudo lava, leva e arrebata os grãos do chão. Tempo de repensar nossas atitudes sobre os desmandos com a natureza. Tempo de exercicitar a solidariedade com todos aqueles que tudo perderam. A cidade submersa e o povo imerso na tristeza. As aguas que devoram tudo num piscar de olhos. Há tristeza na poesia, há aconchego nos acolhimentos.
    Uma construção dorida amiga.
    Que a semana seja de reconstrução com amor e dedicação.
    Viva Portugal sob chuva demonstrando compromisso com o social numa iconica votação.
    Bjs e paz amiga.

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  2. O seu poema é um documento que fica a assinalar esta tragédia que atingiu os nossos semelhantes. Louvo a sua homenagem.
    Um abraço.

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  3. A desordem em que a chuva mergulha o tempo e as pessoas...
    Brilhante...
    Beijos e abraços
    Marta

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  4. Um poema solidário é o que podemos por vezes dar. Um abraço

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  5. Boa tarde Pity,
    Um poema magnífico, pleno de sensibilidade, pelas tempestades e cheias que têm assolado o nosso País, que muito me comoveu.
    Não podemos ficar indiferentes perante tantas tragédias.
    Fico sem palavras, porque tem sido tudo muito, muito triste:(.
    Um beijinho e tenhamos esperança em dias melhores.
    Emília

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  6. Boa tarde Pity.
    O teu belíssimo e melancólico poema condensa a dor coletiva perante uma tragédia natural:
    país submerso, memórias arrastadas pelas águas, sentimentos em choque, impotência, e a procura da fé no meio da desolação.

    Beijinho e que nunca percamos a fé e Esperança. 😘

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  7. Boa tarde, Passei para dar uma olhada e gostei muito do que vi e li. Paz e bem

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  8. Olá querida Piedade! O poema está brilhante e achei muito criativa aquela parte de procurar um lugar seco no meio do dilúvio… como sempre...de parabéns! Abraços 🤗

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  9. Um poema descritivo e intenso!
    Maravilhosa é a palavra do poeta e que flutua sobre a tragédia.
    Um beijinho

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  10. Várias tragédias inimagináveis com vento e chuva colossais em várias regiões do país.
    Excelente poema, gostei imenso.
    Boa semana.
    Um beijo.

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