terça-feira, 1 de setembro de 2026

O que sabem as gaivotas

«Vou-me juntar ao bando.
Preciso dizer-lhes que há pelo menos um homem
que, como nós, sabe voar.»
Autor : Rogério G.V. Pereira



Talvez tenha sido uma gaivota
que um dia me disse isto ao ouvido,
quando o mar ainda guardava
o último azul da tarde.

Encontrei um homem.
Não tinha asas.
Mas quando abriu as mãos,
o mundo pareceu caber nelas.

Não o vi subir.
Vi-o permanecer de pé
quando o vento
mandava que baixasse a cabeça.

Vi-o caminhar
sem medo da distância,
sem mapa, sem perguntar
onde começava o céu.

Há perguntas
que nos prendem à terra
antes de encontrarmos
a resposta certa.

Foi então que compreendi:
voar não é fugir.
É permanecer
quando o vento nos empurra.

É confiar no caminho
mesmo quando o horizonte
ainda não se deixa alcançar.
É abrir as mãos
sem saber o que nelas pousará.

E guardar dentro de nós
aquilo que amamos
sem deixar de abrir espaço
para o mundo.

Por isso, se um dia
me virem caminhando junto ao mar,
não pensem que estou perdido.

Talvez esteja apenas à espera
de que alguma gaivota reconheça,
nas minhas mãos vazias,
o desenho de duas asas.

Talvez então eu compreenda
que o céu nunca esteve
tão longe como pensei.

E, quando o vento chamar,
sem medo de não saber para onde,
hei de me juntar ao bando.

Autor : ©Piedade Araújo Sol 2026-08-27

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17 Comentários:

Blogger Marta Vinhais disse...

Voar é interagir com o Mundo...ser livre e permanecer ligada às correntes.
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 01 setembro, 2026  
Blogger chica disse...

Lindo e caminhar junto ao mar vendo as gaivotas, além da vontade de voar, dá vontade de saber o que elas conversam juntas... Adorei! beijos, feliz setembro! chica

terça-feira, 01 setembro, 2026  
Blogger A.S. disse...

Muito bom a tua composição poética Pity.
O pensamento é como uma gaivota voando em liberdade. Por isso muitas vezes nos elevamos na imensidão dos céus voando em nossos pensamentos. Outras vezes, voamos em voos razantes, infinitos, distantes. Mas quando o fazemos, apócrifos, entre o bando, voamos sem rumo, deixando os pensamentos nas areias da praia para desfrutar o prazer do voo!...
E voamos…voamos, enquanto resistirem as asas!...

Um abraço!

terça-feira, 01 setembro, 2026  
Blogger Mona Lisa disse...

Boa tarde, Pity.
O poema revela que as gaivotas “sabem” aquilo que nós aprendemos :confiar no vento, reconhecer asas onde parecem não existir e descobrir que voar é permanecer fiel ao próprio caminho.
Magnifico poema soberbamente ilustrado e legendado.
Beijinho e ótima semana com paz e saúde.😘

terça-feira, 01 setembro, 2026  
Blogger Agostinho disse...

Uma bela Terça, aqui. A começar pela epígrafe de Rogério G.V. Pereira, a dar o mote.
Todo o poema eleva a arte de nos pôr a pensar, a sentir, a sonhar. As mãos, o mundo, o vento são vocábulos que nascem no escuro da procura para chegar ao brilho de "voar não é fugir./É permanecer/quando o vento nos empurra.".

Lido isto: o tear enleia os fios
Descem do céu humores marinhos
que revolteiam ao sabor da brisa
no vem e vai do tempo que voa

Há gaivotas que sabem mais
do que eu. Ao vê-las abrir as mãos
vejo-me desasado enfatuado
de certezas que não voam

Beijo amigo, Piedade A.S.

terça-feira, 01 setembro, 2026  
Blogger Porventura escrevo disse...

Boa pergunta. Pena elas não conseguirem responder:-)

terça-feira, 01 setembro, 2026  
Blogger Edite Lima disse...

Olá , linda imagem e belos versos .sobre o vôo das gaivotas . Admirá-las no ar é se transportar ao infinito , lire ...sem fronteiras . Abraços
https://kantinhodafe.blogspot.com

terça-feira, 01 setembro, 2026  
Blogger J.P. Alexander disse...

Lindo poema . Te mando un beso.

quarta-feira, 02 setembro, 2026  
Blogger Toninho disse...

O mundo cabe em minhas mãos, dizia Drummond e aqui belamente nota-se que o sonho viaja nas asas de uma gaivota quando o sol despede-se do dia. Lindo este estar, ficar sob o vento na beira mar, pronto para voar.
Belo trabalho da poesia.
Bjs e paz Pity.

quarta-feira, 02 setembro, 2026  
Blogger Fox disse...

Quando vi o titulo sorri.
Lembrei-me logo daquela sujeita que em fim de tarde visita o Aldi, onde vou buscar o pão, percorrendo os caixotes de lixo mais distante das pessoas no parque de estacionamento.
Sim, podemos aprender bastante, com as gaivotas.
Enfim, dizer o quê, do teu texto.
Bom, simplesmente que está repleto de frases que nos fazem refletir...
E, que gostei muito de ler!
Cumprimentos.

quarta-feira, 02 setembro, 2026  
Blogger brancas nuvens negras disse...

Gostei muito deste seu poema. Um desejo, ou um apelo de que devemos conhecer-nos a nós próprios e assim descobrir potencialidades que desconheciamos.
Um abraço.

quarta-feira, 02 setembro, 2026  
Blogger CCF disse...

Há em nós asas que desconhecemos ou que não abrimos por receio. Que saiba sempre voar, tanto sozinha como em bando.

quarta-feira, 02 setembro, 2026  
Blogger Roselia Bezerra disse...

Amiga Pity, boa notie de paz!
Um belíssimo poema, onde o amor está impregnado nele por inteiro.
Gostei muito da sua perspicácia poetando nas maravilhas que o mar nos oferta...
Tenha um setembro abençoado!
Beijinhos fraternos

quarta-feira, 02 setembro, 2026  
Blogger Rogério G.V. Pereira disse...

Vou decorar teu poema
e dize-lo
como se orasse

Pity, obrigado
por mo teres dedicado

quarta-feira, 02 setembro, 2026  
Blogger Edite Lima disse...

Olá , Adorei seus versos . Uma imagem maravilhosa que fala de liberdade . Admirá-las em vôo é voar em pensamento
https://kantinhodaedite.blogspot.com

sábado, 05 setembro, 2026  
Blogger Rajani Rehana disse...

Beautiful blog

segunda-feira, 07 setembro, 2026  
Blogger Rajani Rehana disse...

Please read my post

segunda-feira, 07 setembro, 2026  

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