terça-feira, 26 de maio de 2026

Em contramão

Houve um tempo em que o poema
golpeava a noite _____ em degraus suspensos,
onde o estandarte das ausências
era sede _____e se saciava, nas palavras
que faziam casa e cama
sem licença _____nem horas.

O poema nascia _____nas travessias:
portos onde fundeava,
mapas reflectidos _____ao rumo das vagas,
as palavras rasgavam o vazio
_____ e o poema ficava
a voltear em noites incertas.

Nesse tempo
eu seria ave, pássaro,
de asas de cetim,
livres _____indomáveis,
cercadas de azul
entre o céu _____e outras vezes o mar.

©Piedade Araújo Sol 2026-05-25
Imagem : Katerina Plotnikova

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10 Comentários:

Blogger brancas nuvens negras disse...

De todo esse tempo ficou a poesia. Ela não morre nem nos abandona.
Um abraço.

terça-feira, 26 maio, 2026  
Blogger Mona Lisa disse...

Boa tarde Pity.
Sublime poema que revisita um tempo de criação intensa e errante, onde a palavra era travessia e abrigo, e onde a voz poética se descobria livre, indomável, entre a noite, o mar e o céu.
Adorei!
Beijinho e ótimo dia.😘

quarta-feira, 27 maio, 2026  
Blogger Ana Tapadas disse...

Que fluidez das imagens literárias, com a evocação do tempo que não pára e das memórias liquidas como a água...imagem constante nos poemas da Piedade!
Um beijo

quarta-feira, 27 maio, 2026  
Blogger CCF disse...

Ainda tem muito azul! Um abraço

quarta-feira, 27 maio, 2026  
Blogger Emília Simões disse...

Boa noite Amiga Pity,
Um poema muito belo e profundo que fala da importância das palavras e da poesia. Evoca talvez um tempo em que a Poeta sentia que a escrita era algo intenso e livre capaz de preencher o vazio e dar sentido à vida. As imagens do mar e das travessias simbolizam a procura, a descoberta e a liberdade. No final, a comparação com uma ave representa o desejo de ser livre, sem limites.
Muito belo e reflexivo.
Um beijinho e uma semana com muita paz.
Emília

quarta-feira, 27 maio, 2026  
Blogger Rogério G.V. Pereira disse...

Voemos, então

Teus poemas dão-me asas...

quinta-feira, 28 maio, 2026  
Blogger Olavo Marques disse...

Olá querida Piedade! Mais uma vez, gostei muito de a ler. Como já disseram aqui, é bom saber que de todo esse tempo a poesia ficou e que ainda há 'muito azul' nela. Excelente travessia! Bom fim de semana! 🤗

quinta-feira, 28 maio, 2026  
Blogger Fox disse...

Ora, via!
Que texto belo e arrebatedor.
Quase que te imaginei no Cabo Espichel, em cima de uma daquelas rochas que são parapeito para mar, pronta para de lançares, de asas estendidas, sobre as ondas revoltas!

Abraço!

sexta-feira, 29 maio, 2026  
Blogger VILMA ORZARI PIVA disse...

Olá querida Pity,
Nessa introspecção há um encontro com teu eu poético que está latente, sempre presente em você, ainda que mudanças ocorram.
Parabéns pela inspiração!
Beijinhos!

sexta-feira, 29 maio, 2026  
Blogger Fá menor disse...

Tempos de céu e mar, que não se conseguem mais olvidar.

Beijinhos e tudo de bom!

sábado, 30 maio, 2026  

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