Enigmas
Há coisas
que não se deixam nomear.
Atravessam o espaço,
como se não lhes pertencesse,
sem peso, sem permanência.
Não são ausência, nem inexistência.
Mas também não subsistem.
Ficam apenas sinais mínimos:
um frio deslocado,
uma alteração quase imperceptível
na ordem das coisas.
Por vezes, irrompe um brilho súbito
breve demais, para ser memória.
Depois, dissipa-se,
como se nunca tivesse estado.
Há movimentos
que não consentem origem
nem destino.
E, ainda assim,
insistem em passar.
Não se prende
o que não reconhece chão.
©Piedade Araújo Sol 2026-04-27
Imagem :Katerina Plotnikova
Imagem :Katerina Plotnikova
Etiquetas: Direitos de autor, Piedade Araújo Sol, poesia

6 Comentários:
Há momentos em que nos sentimos afastados de tudo e de todos...
Beijos e abraços
Marta
Boa tarde, Pity,
Um poema que li e reli e me leva a entendê-lo, como aqueles momentos em que temos dificuldade em pensamentos, ideias ou sensações que nos ocorrem em lapsos de tempo, que, conforme surgem, logo se esvaem, não deixando rasto....
Intrigante, mas muito profundo, este seu belo poema, Pity;))!!
Beijinhos e boa semana.
Emília
Apreciei o seu poema de hoje e a sua qualidade literária. "Não se prende o que não reconhece o chão" verso enigmático e passível de várias interpretações... uma mensagem.
Um abraço.
Sensibilizo-me sempre com seus poemas, são tantas as coisas que o tempo nos distancia e que se desfigura. Que seja sempre para o nosso bem .Deixo um abraço, Pity e carinho.
Boa tarde, Pity.
Sublime e misterioso poema em que o enigma vive no que é transitório e difícil de nomear.
Beijinho e ótima noite. 😘
Boa tarde, Pity.
Sublime e misterioso poema em que o enigma vive no que é transitório e difícil de nomear.
Beijinho e ótima noite. 😘
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