terça-feira, 9 de janeiro de 2018

sonhos pintados

Eduard Gordeev

nos rostos das pessoas
que se cruzam comigo
em pressas a lembrar
fugas improvisadas
em atropelos de momentos
no anonimato
que a cidade me traz
consigo pintar sonhos.

alheios ao meu devaneio
eu confundo  traços
na paisagem quieta
outras vezes calada
em dias de sol
e  também de neblina.

ninguém precisa saber
que os sonhos sempre me acompanham
que os entrelaço e desfaço
que os dissolvo na minha mente
em cores suaves, outras vezes fortes
e outras órfãs de colorido e sem memórias.

e, se  a tela que pinto não é visível para os demais
não é intenção minha ___ nunca  é.

Foi pintada numa cidade em completo desassossego
e no entanto
entranhada de melancolia.

© Piedade Araújo Sol 2018-01-08

24 Comentários:

Blogger Elvira Carvalho disse...

Gostei, Pi.
Mais uma vez nos brinda com um excelente poema.
Abraço

segunda-feira, 08 janeiro, 2018  
Blogger Toninho disse...

E eu que vi um romantismo na imagem.
Linda inspiração numa perfeita sintonia com a ilustração, esta coisa do translúcido que deixa uma lúcida ideia de desassossego tão lindamente poetizada.
Coisa da dupla arte poesia em duas dimensões.
Bela semana Piedade e que a poesia seja esta companhia independente e fiel no olhar.
Bjs.

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger Rogerio G. V. Pereira disse...

Ocorreu-me

Redesenha
e depois pinta

porquê?
por nada

não tem de haver
uma razão para tudo
(ou melhor, não gosto de cores
órfãs de colorido e sem memórias)

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger Victor Barão disse...

Fantástica imagem, para umas fantásticas palavras, casando na perfeição de entre si.
Muitos parabéns, com gratidão pela partilha no seu todo.
Beijos

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso poema. Amei!!

Beijos e um dia feliz

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger LuísM Castanheira disse...

os rostos das pessoas dizem muito pouco dos sonhos que os habitam... e, no entanto, transmitem muita informação, quanto ao seu estado de espírito
gosto de as olhar e tentar advinhar o seu passado e confrontar as razões de expressarem tanta tristeza.
somos um povo triste, que nem tanto sol lhes dá cor.
poema muito interessante.
gostei deveras.
um beijo, Pi.

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger Gil António disse...

Mais um poema de excepção. Delicio o ego ao ler os seus escritos-
.
* Sou como um ramo de árvore ... partido. *
.
Tema escrito em sextilhas.
Deixo cumprimentos
.

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger Carlos Campos disse...

Há muito que não nos visitamos. Adorei voltar a ler-te.
Parabéns!

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger O Árabe disse...

Felizes, Piedade, daqueles a quem os sonhos sempre acompanham! Afinal, são eles que colorem a nossa vida. Belo post, boa semana!

terça-feira, 09 janeiro, 2018  
Blogger Larissa Santos disse...

Poema muito bom :))

Hoje:- Saudade, com cor e presença.
.
Bjos
Óptima quarta-feira

quarta-feira, 10 janeiro, 2018  
Blogger Marta Vinhais disse...

Não se sabe o que pensam os outros...
Pintamos os dias com as nossas cores e memórias, porque abrimos a alma....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

quarta-feira, 10 janeiro, 2018  
Blogger Agostinho disse...

Olá, Piedade,
tinha lido o poema. Ontem.
Deixei-o a marinar entre olhos e mãos
e o gosto ficou-me na boca.
Fiquei a pensar, a ver se consigo...
alcançar o momento,
a abstracção que me traz
tela e cores.
A tua poesia entrou-me no fio
neuronal que vai
da cabeça ao coração. Então vi!
Vi o cacilheiro a acostar.

"Nunca é" igual o tom
do movimento da melancolia
que se espalha centrífuga
pela cidade, porém, há melodia
que sobe dos estranhos traços
na paisagem dos rostos
dos olhos para o ponto de fuga.

O momento do meu café.
Não pus açúcar.

Bj.

quarta-feira, 10 janeiro, 2018  
Blogger José Carlos Sant Anna disse...

Gosto da rara capacidade de ver, de observar traduzida no próprio ritmo do poema e da circularidade obtida na repetição da palavra sonho, cores, traços, da enumeração pausada, apontando para a recorrência das imagens.
Um beleza de construção.
Beijinhos, Piedade!

quarta-feira, 10 janeiro, 2018  
Blogger Majo Dutra disse...

~~~
Senti-me a passear calmamente pelas ruas de Lisboa que adoro...
Uma empregada dizia que as pessoas andavam na capital como
CChaplin nos filmes mudos, com efeito, é necessário a quem trabalha
- os transportes não esperam...
Porém passear na cidade formada por Ulisses, é puro deleite e sei
bem dos sonhos que o seu belíssimo poema refere.
Tanto o poema, como a foto estão fantásticos.
Abraço grande, estimada Amiga.
~~~~~~~~

quarta-feira, 10 janeiro, 2018  
Blogger Jaime Portela disse...

E pintar sonhos é bom...
Excelente poema, parabéns.
Bom fim de semana, amiga Piedade.
Beijo.

sexta-feira, 12 janeiro, 2018  
Blogger Os olhares da Gracinha! disse...

Uma partilha excelente com um belo olhar e um belíssimo poema!bj

sábado, 13 janeiro, 2018  
Blogger Érika Oliveira disse...

Que poema mais lindo! Muito poético e sensível. Amei!! E a música que você coloca no seu blogue é tãao calmante...

sábado, 13 janeiro, 2018  
Blogger Maria Rodrigues disse...

Sonhos pintados feitos poesia e encanto.
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

sábado, 13 janeiro, 2018  
Blogger Ana Freire disse...

Maravilhosa esta pintura de palavras... soberbamente acompanhada por uma imagem deslumbrante... ou talvez pintura...
Como sempre uma publicação extraordinária, Piedade!...
Um poema belíssimo... a que não ficarei indiferente... já anotando no meu caderninho de destaques... :-)
Beijinho! Feliz domingo!
Ana

domingo, 14 janeiro, 2018  
Blogger Tais Luso disse...

"Foi pintada numa cidade em completo desassossego
e no entanto
entranhada de melancolia."

Que lindo, um pouco triste, mas há muita beleza. A obra, deslumbrante, combinando com o poema, ou feito pra ela!
Beijo, querida amiga, uma ótima semana.

domingo, 14 janeiro, 2018  
Blogger Isa Sá disse...

Bonito poema.


Isabel Sá
Brilhos da Moda

segunda-feira, 15 janeiro, 2018  
Blogger Graça Pires disse...

O desassossego a impregnar as palavras nesta viagem com pessoas e sonhos... Muito belo, Piedade.
Uma boa semana.
Um beijo.

segunda-feira, 15 janeiro, 2018  
Blogger Ana Freire disse...

Piedade, no meu próximo post, estava a pensar destacar este seu belíssimo poema.
Tenho apenas uma pequena dúvida, em relação à quinta linha a contar do fim...
Se... "... e, se a tela que não é visível para os demais..." será assim mesmo, a frase, ou se será... "...e, se a tela não é visível para os demais..." ou se poderá ser ainda, "...e, se a tela que pinto não é visível para os demais..."
Se acaso, também achar que a tradução esteja menos bem... será só dizer-me, que a mesma será prontamente alterada!...
Beijinhos! Votos de uma excelente semana!
Ana

terça-feira, 15 maio, 2018  
Blogger © Piedade Araújo Sol disse...

Ana

efectivamente tem razão e já arranjei.
pode usar eu não me importo.
obrigada!

beijinhos

:)

terça-feira, 15 maio, 2018  

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