terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A casa

neil driver

Na solidão da escuridão que tombou sobre o vale
E sobre a noite
Alguém reclamou a minha presença

Eu estava ali, sem estar
Mas, tanto tempo se tinha passado
Tantas luas outros tantos sóis
E tudo seguiu o seu curso normal

A água do regato não parou de correr
E os pássaros, voltaram todos os dias
Pelas seis horas da manhã, para a sua sinfonia
De chilreios cadenciados


A casa estática ainda existe
E as maças caíram desamparadas
Sobre o chão estéril

Hoje  a manhã está leve como seda
Com o sol a entornar seus raios em todo o seu fulgor
Enlaçando todo o vale

A  minha voz é um bocado de silêncio
Que tenta aquietar o desconforto que me assola
É preciso esquecer o abismo do tempo

Desenho labirintos desordenados de refúgios
E prendo o olhar na luz que pincela o horizonte

© Piedade Araújo Sol 2017-02-27

31 Comentários:

Blogger Cidália Ferreira disse...

Lindo demais! Parabéns pela pérola poética.

Beijos

segunda-feira, 27 fevereiro, 2017  
Blogger Rogerio G. V. Pereira disse...

Belo
Contudo
te confesso
há nesse poema
um verso
em que me não revejo

"É preciso esquecer o abismo do tempo"

É que o abismo do tempo
é para ir
por ele
adentro

Está la a utopia
Sabia?

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Rita Freitas disse...

Um lugar cheio de paz e beleza. às vezes é bom ir para estes sítios.

Beijinhos

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Marta Vinhais disse...

E vagueia-se pela luz, ao encontro desse horizonte, desse vale de silêncios e paz...
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Os olhares da Gracinha! disse...

Através da vidraça ... soltou-se uma bela poesia!!!
Bj carnavalesco

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Pedro Luso disse...

Olá Piedade.
Belíssimo poema o seu A casa. Poema para se fazer mais de uma leitura. Parabéns.
Uma ótima semana.
Abraços.
Pedro.

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger O Árabe disse...

De todo o belo poema, Piedade, guardei particularmente este verso: "A minha voz é um bocado de silêncio/Que tenta quietar o desconforto que me assola/É preciso esquecer o abismo do tempo". Assim me sinto, muitas vezes! Belo, boa semana.

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Mar Arável disse...

Bela a luz vertiginosa dos abismos

Bj

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Cadinho RoCo disse...

O instante da poesia por vezes se mostra tão distante quanto próximo.Abro convite para que venha a conhecer a nossa www.hellowebradio.com ... você. Vem!
Cadinho RoCo

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Aleatoriamente disse...

A poesia, a música tudo é poesia.
A casa comporta uma linda poetisa, que tem o dom de encantar nas pontas dos dedos.
É fada? Talvez.
Mas com certeza tem asas, porque eu consigo voejar por aqui.

Beijinho Pi

terça-feira, 28 fevereiro, 2017  
Blogger Majo Dutra disse...

~~~
Nem sempre certas vozes e vales ou outros lugares belos
e pacíficos preenchem os nossos sonhos...
E a nossa voz torna-se silenciosa e olha-se o horizonte...
Um poema belo, repleto de sentires muito humanos...
Abraço, Poetisa.
~~~~~~~~~

quarta-feira, 01 março, 2017  
Blogger Jose Leite disse...

O sabor poético mais fascinante!

quarta-feira, 01 março, 2017  
Blogger Elvira Carvalho disse...

"Hoje a manhã está leve como seda
Com o sol a entornar os raios em todo o seu fulgor
Enlaçando todo o vale."

Ai Piedade, como a humanidade precisa de manhãs assim.
Belíssimo o poema.
Um abraço e um Março sereno e feliz

quarta-feira, 01 março, 2017  
Blogger Fá menor disse...

Imaginei que era eu... e a casa, com toda a sua envolvência por ti desenhada. E vi outra casa... tão igual!

Bjinhs

quarta-feira, 01 março, 2017  
Blogger Ana Freire disse...

Um lindíssimo poema repleto de emoções... que moram em nós... e por isso se sentem em casa...
Beijinho! Continuação de uma excelente semana, Piedade!
Ana

quinta-feira, 02 março, 2017  
Blogger Jaime Portela disse...

O tempo vai mudando as coisas.
Menos a água dos rios e os pássaros, que continuam a correr e a voltar todos os dias como se quisessem impor a passagem do tempo.
Continuação de uma óptima semana, amiga Piedade.
Beijo.

quinta-feira, 02 março, 2017  
Blogger Manuel Veiga disse...

"Casa onde caibas
Poesia (terra) quanta vejas..."

admirável poema.

gostei muito,

beijo

quinta-feira, 02 março, 2017  
Blogger Agostinho disse...

Nem necessário seria o cavar do abismo para que a revelação dos opostos se fizesse.

Por dois tempos se entormaram águas
um o da noite
em penumbras de enganos
outro o da manhã
que rompe o silêncio quando
mais ensurdecedor se faz
o silvo da queda no abismo.

Belíssimo, Sol.
Bj.

sexta-feira, 03 março, 2017  
Blogger Nequéren Reis disse...

Encantador amei. bom final de semana, obrigado pela visita.
Blog:https://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

sexta-feira, 03 março, 2017  
Blogger SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Lindíssimo poema, com a ternura do lar o silêncio de vale e o labirinto como refúgio a se expor na luz clara de um horizonte omisso. Parabéns, Piedade. Grande abraço. Laerte.

sábado, 04 março, 2017  
Blogger VILMA PIVA disse...

Piedade querida, me identifico em teu poema e teus versos visitam meus labirintos. Parabéns por tua sensível e bela poesia! Bjs

domingo, 05 março, 2017  
Blogger manuela barroso disse...

Bastava o enquadramento para que nos percamos nesse quadro tão bucólico . Um laivo de nostalgia anoitece mas enriquece este mundo tão belo . Que aquieta embora o tempo se "abisme "
Grande beijinho , Pi . 😘

domingo, 05 março, 2017  
Blogger Fábio Murilo disse...

Que tranquilidade , que paz. Gostei! Abraços.

domingo, 05 março, 2017  
Blogger Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Uma belíssima poesia minha amiga, gostei bastante.
Um abraço e boa semana.
Andarilhar || Dedais de Francisco e Idalisa || Livros-Autografados

segunda-feira, 06 março, 2017  
Blogger Graça Pires disse...

Poema atravessado por lugares, sons e silêncios. A respiração da casa a soar na memória, como um refúgio secreto.
Muito belo, Piedade.
Uma boa semana.
Um beijo.

segunda-feira, 06 março, 2017  
Blogger Smareis disse...

Que linda essa manhã. Uma poesia muito bem construída como toda de sua autoria. A imagem é linda.
Boa semana, e um excelente mês de março.
Um beijo!

segunda-feira, 06 março, 2017  
Blogger O Árabe disse...

Boa semana, Piedade; aguardo o próximo post!

segunda-feira, 06 março, 2017  
Blogger LuísM Castanheira disse...

As velhas casas... quantas memorias.
E elas, velhas, são as nossas histórias.
"[...]É preciso esquecer o abismo do tempo[...]" e nele não mergulhar.
Mto belo o poema na paisagem onde se prende o olhar.

Minha Amiga: tenho tido dificuldade em configurar o seguimento da página.
Por essa razão não sou avisado quando pública. Desculpas pela demora na visita, aqui.
Um beijo e uma boa semana

segunda-feira, 06 março, 2017  
Blogger Sofia disse...

Maravilhoso, Piedade.

Construir refúgios contra o abismo do tempo (essa fonte inesgotável de ansiedade.)

Beijinho.

terça-feira, 07 março, 2017  
Blogger AC disse...

Um regresso em desacerto,
tendo em vista o acerto.
Da vida.

Sempre bem, Piedade.

Um beijinho :)

domingo, 12 março, 2017  
Blogger Mãe Maria disse...

A casa é um regresso ao nosso poiso, à vida interior que nos faz ser poetas.

sexta-feira, 05 maio, 2017  

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