terça-feira, 9 de setembro de 2014

Asas emprestadas

Rosie Hardy

Emprestaram-me estas asas,
não são minhas,
e não consigo adaptar-me com elas,
e não quero saber,
que são emprestadas,

que terei de as merecer
.
Vou sem velas nem direcção,
sinto-me a navegar sem mar,
onde apenas silêncios existem,
guiados pelo vento,
puros,
autênticos,
apenas ensaiando o voo dos pássaros.

Gotejam em mim pedaços,
de sombras,
que deambulam sem aviso,
sem sequer saberem de mim,
sem cores definidas e obscuras.
.
Não sei que fiz da outra que (antes) existia em mim
antes,
antes,
destas asas que me pesam,
e me desfocam a caminhada.

©Piedade Araújo Sol 2014-09-08