terça-feira, 9 de abril de 2013

A rua é sempre a mesma



A rua é a mesma,
continua igual mas sempre diferente,
todos os dias.
Por vezes estendo-me no sonho
e oiço murmúrios
e sons
e finjo-me adormecida
para não negar a veracidade

de uma realidade inventada por mim.
Sonho dias,
sonho cheiros,
e inalo o pólen,
dos plátanos que circundam a praça,
que me beija com as narinas magoadas.
Sonho portas abertas
para lá das portas fechadas

e sei que não estás,
mas eu vejo-te sentado à porta
por onde eu entrava
para nos entregarmos à invenção do amor
com a urgência na demora.
Sonho silêncios,
sonho a brisa que vem do mar…
e o vento da cidade
a despentear-me a fuga de mim e de ti.

Estou cansada,
não tenho forças
e o sonho é apenas o aroma
que eu guardo no meu desígnio,
que me tinge de vermelho.
Serei vermelha

na dor do sonho e na língua da paixão.

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© Piedade Araújo Sol 2013-04-08
Foto : chudzyy