terça-feira, 11 de setembro de 2012

Revolta





Há uma revolta grande, no canto do meu País
Existem lágrimas, mas os olhos já estão secos
E apenas se agiganta esta revolta em mutismo reprimido
Acorrentado em palavras caladas em olhares de mágoas
E desalento
Já não sei quem sou no meu País
Perdi a identidade – roubaram-ma
Como me roubam aos poucos a dignidade de ser gente
Ando por aí sem nome
Sem passado e sem futuro
Como um indigente sem pátria nem lugar
Fogem de mim memórias e pensamentos sãos
Ando assustada nas brumas dos dias
Onde a luz que ilumina a cidade grande
Deixou de ser azul e se tornou cinzenta
Em fúria de ocasos sem ocasos
Não há maior dor que aquela que se
Solta em silêncios amordaçados
Nos dias desfiados sem horizontes
.
Há uma revolta – grande – tão grande
No canto do meu País
Que nem um fado é capaz de expressar



© Piedade Araújo Sol 2012-09
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