terça-feira, 26 de junho de 2012

palavras nuas ou/e/ o poder de um beijo


escrevo palavras nuas.

gostava de vestir as palavras com sedas e cetins, mas sei que é impossível, por isso abandono por momentos a escrita e fixo-me nas pessoas anónimas que deambulam na praia de areias amarelas como ouro em bruto.

oiço o mar que me enaltece a vista e começo a congeminar as rochas vestidas de lodo e algas.

não sei a ligação das rochas com as palavras, por isso talvez elas nem ligam ao mar quando as beija, uma vez sôfrego outras vezes dócil.

imagino-me por momentos traindo-me em onda espuma, que beija a pedra com a violência das marés.

fecho os olhos para melhor sentir o beijo, e tento fcar assim imóvel e de olhos cerrados.

não quero quebrar o magnetismo do momento, nem a emoção deste beijo onda-espuma-mar-rochas e eu-rocha-utopia.

eu a sonhar palavras vestidas perfeitas e coloridas.

eu a deambular pela praia e sonhar beijo e mar e palavras que podem e devem ser nuas.

© Piedade Araújo Sol 2012-06-26