terça-feira, 22 de maio de 2012

quimeras



num espaço inóspito, junto à areia, invento-me
em quimeras de ti e sonho-te junto ao mar de águas calmas
que se agitam, ao sabor da aragem que serpenteia a tarde
e lança esquiços de algas e búzios para a praia.

não há sombras em desalinho, ou frio sequer,
no dia que se acaba, lânguido e cheio de sabores,
na mansidão calma dos olhares meus
na espuma que as ondas osculam a areia ainda quente.

invento-me em ti e, na perturbação da tarde
chegam fragrâncias inconfundíveis de decifrar
 que me abandonam em crescente volúpia.

no voo das gaivotas, invento-me e vou com elas
desprotegida, sem rumo e sem destino,
no desvario de ser apenas e só uma utopia com asas.


© Piedade Araújo Sol 2012-05-22




21 Comentários:

Blogger Luis Eme disse...

o mais curioso e bonito neste poema é a sua musicalidade, mesmo sem o recurso à rima.

beijinhos Piedade

terça-feira, 22 maio, 2012  
Blogger Marta Vinhais disse...

Tudo se inventa na tarde, serena...
Sem que haja sombras, apenas sabores...
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 22 maio, 2012  
Blogger Rita Freitas disse...

Grande sensação de liberdade e beleza ao ler este poema.
Gostei muito

Beijinhos

terça-feira, 22 maio, 2012  
Blogger Manuel Veiga disse...

belo desvario. poético.

vertigem - a utopia com asas...

gostei muito.

beijo

terça-feira, 22 maio, 2012  
Blogger Isa Lisboa disse...

Há quimeras que são tão necessárias como a realidade palpável... E gostei muito desta!
Beijos

terça-feira, 22 maio, 2012  
Blogger Nilson Barcelli disse...

Magnífico soneto.
Gostei muito, como sempre.
Piedade, querida amiga, tem um bom resto de semana.
Beijo.

quarta-feira, 23 maio, 2012  
Blogger Magia da Inês disse...

¸.•°`♥✿⊱╮
A imagem harmoniza com cada verso.
Delicioso ler sua poesia!!!
Beijinhos.
Brasil.
♥✿⊱╮

quarta-feira, 23 maio, 2012  
Blogger Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Por vezes a palavra grita o vazio...toca a imensidão do silêncio tatuado em cada poro da nossa pele.
Como sempre os teus poemas tocam-me a alma.

beijinho com carinho
Sonhadora

quarta-feira, 23 maio, 2012  
Blogger CamilaSB disse...

Nas asas da utopia viajam quimeras
ao sabor do vento, que acorda a poesia... o mar imenso como fonte de inspiração, traz sons melodiosos, no canto de um lindíssimo poema!
Um beijinho Piedade, e obrigada pelo carinho!

quinta-feira, 24 maio, 2012  
Blogger Mar Arável disse...

Por vezes a poesia faz milagres

utópicas

ao alcance do olhar
mesmo que não se veja

Bj

quinta-feira, 24 maio, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

Mar e sonetos
desperta meu coração
de rochedo
minhas gaivotas saem em revoadas
belos poemas poeta
hálitos de maresia
ondas revoltas
horizontes azuis
mandarei lembranças
pelo meus solitário albatroz

Luiz Alfredo - poeta

sexta-feira, 25 maio, 2012  
Blogger poetaeusou . . . disse...

*
SOL,
,
as tuas palavras,
garatujam na areia,
mesclando sabores,
de algas e búzios,
crescentes volúpias,
incensam o mar,
decifrando destinos,
no voo das gaivotas !
,
adorei, obrigado,
,
conchinhas reais,
ficam,
*

sexta-feira, 25 maio, 2012  
Blogger Lídia Borges disse...

Seguir o voo das gaivotas nas asas de uma utopia, em abandono, é um convite à viagem através dos meandros românticos de um sonho com cheiro a maresia.

Um beijo

sexta-feira, 25 maio, 2012  
Blogger Unknown disse...

Olhar o mar e seguir no ritmo das ondas voando com as gaivotas.
Muito bom este momento.

sábado, 26 maio, 2012  
Blogger Daniel C.da Silva disse...

Muitíssimo bom!

Da leveza das ondas à quietude dos búzios em forma de sonho...

domingo, 27 maio, 2012  
Blogger manuela baptista disse...

ser alado, inventado


míticas são as quimeras


um beijo

domingo, 27 maio, 2012  
Blogger O Árabe disse...

Utopias com asas... que docemente povoam as nossas almas! Boa semana, amiga.

segunda-feira, 28 maio, 2012  
Blogger Hanaé Pais disse...

Não imagina o prazer que é ir "sem rumo e sem destino".

segunda-feira, 28 maio, 2012  
Blogger O Profeta disse...

Já esqueci, todas as palavras que queria ouvir
Todo os sentires por sentir
Já não sou protagonista de uma comédia de enganos
Sou apenas demiurgo de uma perversa cena de uma chegada sem partir

Sou uvas amargas do mês de Abril
Vinho de travo verde ao beber
Semente atirada ao meio das pedras
Olhos na bruma na inquietação do ver

Uma imensa e incontida força neste peito
Na alma uma cicatriz, qual estigma
Serei apenas um barco de papel à deriva!?
Ou como já alguém disse, um…Enigma…

Doce beijo

segunda-feira, 28 maio, 2012  
Blogger ma66ie disse...

Nunca sei do que mais gosto... se das imagens que escolhes, se das tuas palavras! :)

domingo, 03 junho, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

Paraíso! :)

quarta-feira, 13 junho, 2012  

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