Não sei quando
Não sei quando nem como surgiste na minha vida.
Ou talvez o saiba, sem o saber ou por não o querer saber para não o relembrar.
Mas aconteceste, assim como que do nada, e entraste na minha vida sem sequer te fazeres anunciado. Eu não esperava e, por isso, ainda hoje me surpreendo. Trouxeste-me enternecimento e aconchego a um coração entorpecido, mas também trouxeste a raiva disfarçada em palavras, por vezes em silêncios indisfarçáveis. Trouxeste o medo. O desejo. Os segredos. E eu nunca soube lidar com tudo isso nem gerir os sentimentos antagónicos que me assolavam.
E um dia, tal como chegaste, saíste. Sem aviso, sem despedidas e sem palavras, apenas e só silêncios.
A partir daí, todos os dias passaram a ser nebulosos. O medo ganhou formas desproporcionadas e fiquei a desfolhar os dias como se fossem contas de um rosário que nunca tive.
Apetecia-me dizer-te que não sabia nem queria gerir este caos que me assolava, mas tu já não estavas.
No meu quarto, eu revia e inventava palavras e mais palavras, máculas caindo no chão, na porta cerrada, no telefone desligado.
E sei que lá fora existem casas e luzes. E, ao descer a rua, sei que existem os barcos parados na praia. Mesmo sem o querer, é sempre para lá que vou, muito embora nem a maresia perceba este caos que ainda não dissolvi em mim.
© Piedade Araújo Sol 2012-05-29

27 Comentários:
Estas tempestades de sentimentos muitas vezes fazem-nos sentir vivas e sair do marasmo que muitas vezes andamos.
Bonita expressão de emoções.
Beijinhos
pois não, a maresia é ela própria o espelho do caos...
beijinhos Piedade
«...e fiquei a desfolhar os dias como se fossem contas de um rosário que nunca tive» poema triste, mas muito belo e emotivo... há caos que não se explicam, sentem-se...
Gostei muito Piedade! Um beijinho.
Mas, um dia, vamos ver o barco afastar-se da praia...
Talvez seja uma boa ideia irmos nele e reinventarmos palavras, já sem mágoa....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta
Olhas dentro de ti e encontras sentimentos confusos.
Refugias-te na margem e olhas a água nos seus movimentos cadenciados. Ficas ancorada nos pensamentos...
Belo Poema.
Beijos
SOL da Esteva
long time no see trevor i got it from a mate so i think this is the link
and some info , there very helpfull ,just say Howard recommened you
Um dia as noites serão claras
como o dia
Minha querida
O tempo é como o vento...leva as nuvens e deixa os sonhos que perduram para além do tempo...em imagens que acendem todas as lembranças...que guardam todos os silêncios onde gravámos todos os passos...Lindo como sempre ler-te.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
A maresia é o teu amor
a tua poesia
o outro é uma paixão
que o mar pode ter trazido
mas a nau do tempo levou
como um voo perturbado
de uma gaivota
como um voo quase eterno
de um albatroz
ficou teu coração a sós
mas a maresia escreverá
lindos poemas no teu coração
e o teu coração
já escreveu este belo poema
de pura solidão
de mar e maresia.
Luiz Alfredo - poeta
Na nossa vida há sempre casos mal resolvidos!
Mas não são esses que devem ser o foco do nosso olhar.
O futuro está aí e tem mesmo que ser lindo!
Beijos,
Olá Piedade... hoje, é só para lhe desejar um dia muito feliz :)
Beijinho!
Ser feliz ou até a possibilidade de ser feliz...dá medo! Mas mesmo quando a tentativa resulta em caos, a pouco e pouco ele desfaz-se, como o nevoeiro que esconde os barcos pela manhã...
lá fora existem casas e luzes
não saberemos nunca explicar tudo, nem será preciso
gostei e sei que foi agora
um beijo
E um dia, tal como chegaste, saíste.
--------
Foi uma nuvem que passou!
-------
Felicidades
Manuel
Interesante espacio, un grato placer leerte.
saludos.
.
.
. re.vestem.se os dias de agora de uma saudade tanta . e a toda a hora re.lembro quem foste . 49% ternura . 51% fúria .
.
. gratíssimo .
.
. um beijo . meu .
.
.
Excelente post....
Cumprimentos
Gosto que a maresia não me entenda, porque a uso para disfarçar o caos...
Muito, muito belo!
Um beijo
Sónia
Lindo!!!
http://estilohedonico.blogspot.pt/
xoxo
Chegadas e partidas... quanto nos tocam! Boa semana, amiga.
Somos bem mais do que pensamos ser.
Somos o que lembramos e do que por vezes nos esquecemos.
Somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos...
É muito bom, quando conseguimos ser nós mesma, com fragilidades e levezas.
Um texto belo.
Boa noite!
N.
belo o dorido texto. em carne viva...
beijo
Assim é viver... as pessoas entram e saem da nossa vida marcando-a ou não.
Gosto da forma como as dizes. :)
jinho
Lindo!
E um dia esse medo fica arquivado numa prateleira fora de uso e a vida substitui-o por uma nova promessa de amanhãs certos...
Beijinhos.
Um barco na praia é sempre uma possibilidade...
Beijo :)
Muito belo!
perfeito...
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial