terça-feira, 6 de dezembro de 2011

vi a minha cidade


vi a tristeza entrelaçada
com teias de aranha nas montras
os vidros embaciados
as portas fechadas
o silêncio dolente
vi a minha cidade – abandonada.

era dia de sol
e cheirava a mofo e a chuva
as minhas mãos crispadas
no fundo dos meus bolsos vazios
e a solidão com feridas profundas
no esquecimento anunciado.

o chão amargo da melancolia
prenhe de fragrâncias com história
e de cheiro a fado nas esquinas
a calçada à portuguesa impregnada de rostos
de olhar em quebranto cingido.

já ninguém sabe de mim
nem dos meus sonhos tresmalhados por aí
nos barcos ancorados
e  nos livros da cidade
já ninguém me conhece nas esplanadas da tristeza
vi a minha cidade – abandonada.

© Piedade Araújo Sol 2011-12-06
Foto: timbarber

25 Comentários:

Blogger Sempre disse...

E eu vi uma cidade nos olhos embaciados pela melancolia, pela saudade e nas mãos vazias, a precisar de serem preenchidas. Mais uma vez ler-te, me faz identificar com tantos sentidos. Beijinhos ;)

terça-feira, 06 dezembro, 2011  
Blogger Filoxera disse...

Uma nostalgia linda, a que aqui nos deixas...
Beijos.

terça-feira, 06 dezembro, 2011  
Blogger Braulio Pereira disse...

tanbem com nostalgia?

kredo...

estou intesso..dou-te cores

vamos ver o arco-iris.
:)*


beijo!!

terça-feira, 06 dezembro, 2011  
Blogger SOL da Esteva disse...

Piedade

A nostalgia da Cidade viva, que parece estar moribunda e fria.
Como te "sinto" cidade, Amiga.
É muito triste olhar esplanadas repletas de tristeza, sem livros, abandonada...


Beijos

SOL
http://acordarsonhando.blogspot.com/

terça-feira, 06 dezembro, 2011  
Blogger manuela baptista disse...

que seja apenas um momento passageiro

na sua, minha, nossa cidade

como passageiro o barco
o fado
o abandono

um abraço, Pi!

terça-feira, 06 dezembro, 2011  
Blogger Ana Luar disse...

Eu sei de ti.... adivinho-te pelas palavras porque elas chamam-nos como a areia chama o mar...... e tens sempre aromas de maresia.

terça-feira, 06 dezembro, 2011  
Blogger Marta Vinhais disse...

Uma solidão escondida...
Não se fala...não se pensa....porque já não se sabe como....
Lindo....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

terça-feira, 06 dezembro, 2011  
Blogger Virgínia do Carmo disse...

Uma cidade que nos vem de dentro. Um poema que nos veste de si.

Muito belo.

Beijinho, Piedade

quarta-feira, 07 dezembro, 2011  
Blogger Nilson Barcelli disse...

A crise também se faz sentir na cor das coisas que os nossos olhos vêem...
Excelente poema. Gostei.
Beijo, querida amiga.

quarta-feira, 07 dezembro, 2011  
Blogger mfc disse...

Nas esplanadas da tristeza já vão aparecendo sorrisos(poucos ainda), mas já vão aparecendo!

Beijinhos

quinta-feira, 08 dezembro, 2011  
Blogger Lídia Borges disse...

As cidades tornaram-se lugares de dispersão, de solidão, onde tantos podem ser ninguém...

Lindo!

Um beijo

quinta-feira, 08 dezembro, 2011  
Blogger António Gallobar - Ensaios Poéticos disse...

Olá

Partilho dessa frustração colectiva, é realmente triste ver o abandono, os braços caídos quase sem esperança, mas tenho fé que os sonhadores os poetas deste país, consigam manter a chama acesa...

Brilhante poema, é um bom ponto de partida para uma reflexão que se impõe.

Parabens é sempre um prazer passar por cá.

sexta-feira, 09 dezembro, 2011  
Blogger AC disse...

O olhar adquire sempre novas tonalidades e dimensões com a ausência. Mas há sempre algo que fica, que nos agarra...

Beijo :)

sábado, 10 dezembro, 2011  
Blogger Aníbal Duarte Raposo disse...

Olá Piedade.

Saberemos sempre se ti e dos teus sonhos tresmalhados nos barcos ancorados e nos livros da tua cidade.

Linda a tua poesia.
Beijo

sábado, 10 dezembro, 2011  
Blogger Luis Eme disse...

mas nós sabemos da tua poesia, que também ecoa na tua cidade.

Beijinhos Piedade

sábado, 10 dezembro, 2011  
Blogger Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Os nossos sonhos vão perdurar para sempre por dentro do tempo.

Beijinhos
Sonhadora

domingo, 11 dezembro, 2011  
Blogger A. disse...

A tristeza, quando pregoada, é um espantalho desolador que espanta quanto pássaros há!... Quem quer ser encosto da tristeza, da mágoa, da inércia e dos corpos que se deixam amolecer?... Ninguém, nem os mais tristes!...
Raios partam a tristeza e que o relâmpago ilumine sorrisos e lábios doces!...




Abraço

domingo, 11 dezembro, 2011  
Blogger Branca disse...

Uma nostalgia que espero se transforme num tempo novo, sob pena de as cidades perderem a identidade, reflexo da falta dela no próprio Homem.

As grandes cidades têm esse perigo, mas tudo é passível de reversão, basta querer...e a luta por essa vida nunca será em vão.

Beijos
Branca

domingo, 11 dezembro, 2011  
Blogger © Maria Manuel disse...

um olhar melancólico sobre a cidade que é, muitas vezes, lugar de anonimato, mas aqui também reflexo das vicissitudes actuais, como uma perda afectiva e social, um abandono sem deixar rumo.

abraço.

domingo, 11 dezembro, 2011  
Anonymous Anónimo disse...

Na cidade abandonada ... há gente que senta nostalgicamente a vida a pulsar, no silêncio dolente.

Parabéns amiga, pelo belíssimo poema.

Beijinho
Boa semana.

domingo, 11 dezembro, 2011  
Blogger Manuel Veiga disse...

nostálgico e belo...

beijo

domingo, 11 dezembro, 2011  
Blogger Fernando Santos (Chana) disse...

Bela poesia...Espectacular....
Cumprimentos

segunda-feira, 12 dezembro, 2011  
Blogger jorge vicente disse...

viste o teu fado
no longo adormecer da cidade:

a tua.

segunda-feira, 12 dezembro, 2011  
Blogger carlos pereira disse...

Minha querida amiga Poetisa Pi;
Da melancolia das imagens e das palavras à lucidez da alma.
Belo poema. Comovente.
Adorei.
Beijo.

segunda-feira, 12 dezembro, 2011  
Blogger Canto da Boca disse...

Uma cidade que cada um/a carrega no coração, no olhar e na emoção, e se espelha e reflete naquilo que tanto nos toca: no abandono!

Um poema que é o lamento de todas as vozes...

Beijos!

quinta-feira, 15 dezembro, 2011  

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial