Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Setembro



Tinhas o orvalho nos olhos – verdes
E eu nunca reparei
Não sei em que depositei o meu olhar alheado
Talvez amedrontado

Se
 o melhor em que em mim havia
era uma fuga infalível
para além do horizonte que eu desenhava
nos azuis

Eu nunca quis olhar para as açucenas que nasciam
E que exalavam o perfume que me entediava
E me recordava de ti
Setembro foi apenas um mês
Mais um

Que acrescentaria a todos os outros
Dum calendário inexistente
Mas sempre dependurado em mim

Setembro foi a quimioterapia nas dores
Atenuando a ausência de todas as ausências
Renascidas

E o culminar desta chuva que cai em mim
Lembra-me agora a premonição
Do orvalho no teu olhar
E que eu nunca reparei.


© Piedade Araújo Sol 2011-09-29
Foto: aniawojszel

21 Comentários:

Blogger BlueShell disse...

Horizontes que se desenham...dores que se atenuam...mas não deixam de ser...
Bj

Terça-feira, 27 Setembro, 2011  
Blogger hfm disse...

Belíssimo poema a que a repetição vai-nos a nós fazendo reparar. Gostei muito.

Terça-feira, 27 Setembro, 2011  
Blogger mfc disse...

E que voltaram a ti... porque nunca de ti saíram!

Terça-feira, 27 Setembro, 2011  
Blogger vero disse...

Querida amiga

voltei uma vez mais, devagarinho que a saúde mo permita.

Gostei das tuas palavras... como sempre :)

Deixo-te um beijo

Vero

Terça-feira, 27 Setembro, 2011  
Blogger Marta disse...

Uma dor, uma solidão perdida num tempo que existirá numa memória...
Poema triste, suave, mas muito terno.....
Beijos e abraços
Marta

Terça-feira, 27 Setembro, 2011  
Blogger O Árabe disse...

Assim é, às vezes, a saudade: a falta que nos fazem detalhes em que nunca reparamos. :) Boa semana,belo texto!

Terça-feira, 27 Setembro, 2011  
Blogger Luis Eme disse...

bonito poema, de Setembro, esse mês tão bem sintetizado pelo filme de Woddy Allen...

beijinho Piedade

Quarta-feira, 28 Setembro, 2011  
Blogger Evanir disse...

Querida Amiga .
Quero muito homenagear seu blog representando Portugal.
Caso estiver de acordo por favor me enviei pelo meu email um poema seu.
Aguardo você beijos no coração .
Evanir

Quarta-feira, 28 Setembro, 2011  
Blogger Vieira Calado disse...

Por há coisas em que nunca reparamos...

E teríamos feito melhor...

reparar!


Bjsss

Quarta-feira, 28 Setembro, 2011  
Blogger Sempre disse...

Uma empatia Setembro...um mês eternidade...
"Sim eu sei que tudo são recordações
Sim eu sei é triste viver de ilusões"
Mas recordar é viver...
Beijinhos ;)

Quarta-feira, 28 Setembro, 2011  
Blogger manuela baptista disse...

se em setembro assim

aguado o olhar
que não esqueçamos nunca as açucenas


um beijo, Piedade

Quarta-feira, 28 Setembro, 2011  
Blogger Evanir disse...

Eu agradeço sua visita
A vida sempre une as pessoas no momento certo.
Que eu seja digna da sua amizade.
Nos momentos de aflição dividirmos nossas dores e pensamento
Que seu sonho e os meu sonhos seja abençoado por Deus.
Com nossa amizade e união possamos alcançar as estrelas.
De mãos dadas não terei medo da estrada a ser percorrida.
A minha fé iluminara nossos caminhos ,
E assim juntos seguirmos até onde existir vida.
Uma noite abençoada .
Deus abençoe seu carinho.
Bjs no coração.
Evanir

Quinta-feira, 29 Setembro, 2011  
Blogger Canto da Boca disse...

Setembro será sempre um marco para mim.
Uma poesia tão delicada, cheia de solidão e não menos bela por isso!

Um beijo, Piedade!

Quinta-feira, 29 Setembro, 2011  
Blogger Virgínia do Carmo disse...

Setembro não voltará a ser apenas mais um mês.

Muito belo.

Beijinho grande, Piedade

Quinta-feira, 29 Setembro, 2011  
Blogger Braulio Pereira disse...

a tristeza.. do orvalho ao cair da noite...solidâo...dor


mas as açucenas brilham dâo vida


um beijo!!

Quinta-feira, 29 Setembro, 2011  
Blogger heretico disse...

a perfeição está nos pormenores...

por exemplo, "no orvalho do olhar"

beijo

Quinta-feira, 29 Setembro, 2011  
Blogger Nilson Barcelli disse...

Mais vale tarde do que nunca reparar em certas coisas...
Belo poema, gostei.
Querida amiga Piedade, tem um bom fim de semana.
Beijos.

Sábado, 01 Outubro, 2011  
Blogger AC disse...

No outono damo-nos conta do que nos escapou no verão...

Beijo :)

Sábado, 01 Outubro, 2011  
Blogger epee disse...

Mas há de se lembrar. Sempre. Pelas velas que, não apagamos, ou sopramos, mas acendemos. No comemorar de um fim de tarde, a saber, que não foi o medo o grande vilão da história, mas a certeza de que no poema havia tanto de mistério quanto de beleza, e que os dois juntos, unidos, venceriam qualquer dificuldade. Porque há palavras que perfumam. Mesmo quando a saudade insiste em separá-las em sílabas. Setembro não foi apenas um mês. Setembro é e sempre será o mês dos verbos à maresia.

¬
Feliz Aniversário.







[Lembrei-me de um dia, referir-se a setembro, como o mês de seu aniversário.]

Domingo, 02 Outubro, 2011  
Blogger Eduardo Aleixo disse...

Ausências renascidas e calendários inexistentes e dependurados em ti, conforme escreves, sabe-me a ausência de ti essa tua presença na ausência de um olhar com vislumbres de perda e de desejo aposteriori de ficares. Longe do cais e com o cais na proa do teu olhar de bruma.
Gostei.
A melancolia a marcar a tua poesia.
A imagem que encabeça o poema, é mt bela.

Domingo, 02 Outubro, 2011  
Blogger £ou¢o Ðe £Î§ßoa disse...

Dizem que os aromas é das coisas mais dificeis de se recordar.

Perfumado de setembro.

Domingo, 02 Outubro, 2011  

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