terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Eu sei que sempre...


Eu sei que sempre te vou escrever ao terminar o dia, sossegada, quando o corpo cansado já não tiver forças para mais nada, a não ser a necessidade de falar para o papel, mesmo que eu saiba que tu nunca irás ler.

Sei que sigo sempre este trilho, como que guiada através da luz que emanas do teu olhar e que eu retenho em mim. Guio-me pelo aroma dos nardos que deixaste pelos lugares que ambos partilhámos.

E sei que quando os teus lábios procurarem outra boca que não é a minha, lembrarás sempre o sabor dos beijos que trocámos com o inconfundível sabor a romãs.

Sei que nunca dirás a ninguém “amo-te”, porque essa palavra já deixou de fazer parte do teu vocabulário, e se eu um dia voltar a dizer “amo-te”, será o vento que a ouvirá e tu pensarás que é do vento e não para ti.

Sei que quando a lembrança te for penosa, afastá-la-ás como um sonho mau do passado. E quando o canto das aves te lembrar a letra de um qualquer poema (meu) que falava muitas vezes das gaivotas e do mar, tu irás conduzir na marginal e só pararás no final do pontão da praia,e com o som do carro o mais alto possível, ficarás a trautear canções que te dizem muito e que para mim são apenas canções. E quando voltares para casa, adormecerás tranquilamente. No dia seguinte, acordarás calmo e feliz.

Eu sei que sempre te vou escrever ao terminar o dia e, ao acordares, talvez um dia (quem sabe?) leias o que te escrevo.